Clonagem pode levar Antinori à prisão
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sexta-feira, 12 de julho de 2002
France Presse 
Roma - O ginecologista italiano Severino Antinori, de 56 anos, desmentiu ontem ter realizado uma clonagem humana, prática considerada pela nova legislação italiana um delito que implica entre 10 e 20 anos de prisão, uma multa alta e a exclusão da profissão por toda a vida.
''O professor Antinori desmente categoricamente todas as informações que lhe são atribuídas relativas a acontecimentos clínicos de nascimento e que não têm nada a ver com o programa científico sério do qual ele se ocupa atualmente'', afirma um comunicado.
A nova legislação italiana sobre a procriação medicamente assistida de 19 de junho passado proíbe formalmente a clonagem humana. O pessoal médico envolvido em tais casos pode ser condenado a uma pena entre 10 e 20 anos de prisão, a uma multa de até um milhão de euros e à expulsão da profissão por toda a vida.
Antinori desmente as declarações realizadas durante uma entrevista concedida no início de julho, em Viena, e publicadas anteontem no jornal francês Libération. Segundo essa entrevista, o médico teria afirmado: ''Fiz 18 transferêcias de embriões criados por clonagem. E obtive uma gravidez. Ela está em sua décima quinta semana. O feto tem uma boa morfologia''.
O médico precisou ainda que o bebê nasceria em um ''lugar fora da Itália'' e não seria apresentado ''em seguida, depois de seu nascimento'', segundo segundo o Libération.
''Dado o ambiente anticlonagem, seria submeter os pais a uma terrível pressão'', explicou. ''Faremos muitos testes este ano e esperaremos que haja uns 20 bebês nascidos para fazer uma publicação científica'', acrescentou durante a entrevista.
Se esta suposta gravidez chegar a seu fim, o bebê poderá nascer em dezembro próximo e a paciente do ginecologista italiano dará à luz o clone de seu marido.
Até agora, Severino Antinori, um homem ávido de reconhecimento, sempre negou qualquer envolvimento em gestações em curso a partir de embriões humanos clonados.
''Se estivesse envolvido, claro que não diria'', declarou o polêmico médico em 8 de maio passado, em Roma, depois de anunciar que três mulheres eram portadoras de embriões humanos clonados, uma em um país islâmico e outras duas em repúblicas da ex-União Soviética.
Mas nunca escondeu querer ser o primeiro a realizar uma clonagem humana. Em 1985, com esse fim, abriu, junto com a esposa, a bióloga Caterina Versaci, um centro de pesquisas para a reprodução assistida, em Roma. Também se uniu a um consórcio internacional de cientistas envolvidos neste tipo de pesquisa, do qual faz parte o andrologista americano Panayiotis Zavos.


