Clinton telefona para líderes para evitar fracasso em Seattle Do enviado especial Paulo Sotero
Seattle, 03 (AE) - Numa clara indicação de que a reunião da Organização Mundial de Comércio em Seattle atingiu um impasse hoje à noite, o presidente Bill Clinton telefonou para os líderes de países e pediu sua intervenção para evitar o fracasso do encontro.
Um acordo em princípio sobre a liberalização da agricultura, alcançado a duras penas na noite de quinta-feira em negociações entre a União Européia, os Estados Unidos e o grupo dos países exportadores de produtos agrícolas, foi reaberto na madrugada de ontem diante da resistência de alguns países europeus de aceitar o princípio da eliminação dos subsídios às exportações agrícolas
considerado essencial por países como Brasil para aceitar um acordo.
Com essa peça central de um acordo para o lançamento de uma nova rodada de liberalização do comércio global desmontada e for a do lugar, e os países em desenvolvimento em franca rebelião contra a falta de transparência do processo de deliberação conduzido pelos Estados Unidos, e em particular contra a insistência norte-americana de inclusão de uma cláusula social na discussão, os negociadores pareciam ter esgotado os limites das possibilidades para chegar a um entendimento sem uma intervenção política de suas capitais.
"Charlene Barshefsky não dorme há três dias e está no momento andando de um lado para o outro na sala onde estão ocorrendo as negociações principais", disse à Agência Estado o membro de uma das delegações, faltando apenas duas horas para o prazo final estipulado pela ministra do comércio exterior dos EUA e presidente da reunião para se chegar a um acordo.
"Ela está completamente deprimida." Pouco antes, um alto funcionário da Casa Branca pedira a palavra na reunião de um dos grupos de trabalho para fazer um apelo, em nome de Clinton, para que os países concordassem com a discussão sobre as questões trabalhistas na OMC. Seu pedido foi ignorado.
Num ambiente já tenso e crispado pela indignação dos participantes de vários países pela má organização da reunião, pela incapacidade dos americanos de lidar com os protestos contra a OMC nas ruas de Seattle e, mais ainda, pelo uso flagrante das manifestações por Clinton por razões de política interna, as delegações africanas e dos países do Caribe divulgaram comunicados para denunciar sua exclusão do processo de decisão e informar que estavam disposto a negar o consenso necessário para o lançamento da Rodada do Milênio.





