Washington, 27 (AE-ANSA) - O governo dos Estados Unidos aplaudiu hoje (27) o indiciamento de Slobodan Milosevic e sublinhou que a estratégia da Otan não mudará e que os bombardeios continuarão até que Belgrado aceite todas as condições da aliança.
"Os objetivos do esforço militar da Otan não mudaram", comentou o presidente Bill Clinton.
"O indiciamento - acrescentou - terá o efeito de tranquilizar as vítimas das atrocidades de Belgrado e mostrar ao povo sérvio quem é o verdadeiro responsável por este conflito e seu prolongamento".
A secretária de Estado Madeleine Albright sugeriu que Milosevic deveria se render e se entregar à corte.
Em particular, entretanto, fontes governamentais americanas admitiram que a acusação pode prejudicar os esforços diplomáticos para pôr fim à guerra nos Bálcãs.
O indiciamento acentuou "o isolamento de Milosevic" frente à comunidade internacional, afirmou Albright, e "é uma confirmação de que o que ocorreu na Sérvia é inaceitável" para o resto do mundo.
Os Estados Unidos esperam que a decisão do Tribunal Internacional para os Crimes na ex-Iugoslávia acelere também o fim do presidente iugoslavo. "É difícil que a Sérvia siga adiante no futuro com um líder incriminado", opinou Albright.
A administração Clinton rechaçou hoje a hipótese de que o indiciamento de Milosevic vise bloquear uma mediação diplomática. "Não está declarado, mas poderia acelelar este processo", disse Albright.
Privademente, entretanto, os funcionários americanos admitem que a decisão do tribunal poderia tornar ainda mais complicada uma solução diplomática.
O indiciamento de Milosevic torna quase impossível agora contatos diretos entre diplomatas da aliança e o presidente iugoslavo, dando à mediação russa um papel vital e talvez excludente.
Mas a Rússia já começou a colocar condições. Hoje, o mediador Viktor Chernomyrdin, num artigo publicado no Washington Post, ameaçou suspender sua missão se a Otan não parar com os bombardeios.
"Não se pode falar de paz enquanto as bombas continuam caindo", advertiu.
A Rússia ameaçou também pôr fim à cooperação com os Estados Unidos no campo militar-tecnológico, bloquear a ratificação do tratado de redução de armas Start II e exercer o poder de veto no Conselho de Segurança nas futuras resoluções sobre a Iugoslávia.
Clinton, segundo analistas, tem interesse em acelerar a busca por uma solução pacífica para a crise, enquanto se multiplicam os sinais de que começa a minar o apoio conseguido até agora pelo presidente na frente interna.
Uma pesquisa da CNN mostra que pela primeira vez menos da metade dos americanos (49%) apóiam a ação da Otan em Kosovo.
A popularidade de Clinton caiu de 60 para 53%, o índice mais baixo em quase três anos, com a guerra de Kosovo podendo causar à imagem do presidente um dano que o "sexgate" não produziu.
Um duro ataque contra Clinton foi feito hoje pelo ex-presidente Jimmy Carter que, num artigo publicado no New York Times, afirmou que "os civis se transformaram nas verdadeiras vítimas de um procedimento equivocado".
A decisão de atacar toda a Iugoslávia "foi contraproducente e nossa destruição da vida civil se fez insensata e extremamente brutal; existem poucas indicações de êxito depois de mais de 25 mil missões aéreas e 14 mil mísseis e bombas".
Entre os erros imputados por Carter a Clinton, o ex-presidente menciona o de não ter insistido nas negociações, ter deixado de lado a ONU e ter excluido organizações não-governamentais das tentativas de solução.
"Inclusive para a única superpotência do mundo nem sempre os fins justificam os meios", foi a advertência de Carter.

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