Clinton quer cláusulas trabalhistas discutidas na OMC Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 13 (AE) - O presidente Bill Clinton propôs hoje (13) a criação de um grupo de trabalho sobre as relações entre questões trabalhistas e comércio internacional na próxima rodada de negociações da Organização Mundial de Comércio (OMC), que será lançada no início de dezembro, em Seattle. Em discurso para militantes da ala centrista do Partido Democrata em Washington, o presidente defendeu a inclusão das chamadas cláusulas sociais na discussão de novas regras do comércio internacional dizendo que "não há como negar a legitimidade desses temas na nova economia global".
O tema é controvertido e gerou até aqui forte oposição, especialmente nos países em desenvolvimento, que o vêm como um veículo potencial para a introdução de novas formas de protecionismo nas nações industrializadas.
A iniciativa de Clinton traduz em parte a preocupação de manter o controle político das discussões sobre liberalização comercial - um tema impopular, no momento, nos EUA -, no início de uma temporada eleitoral na qual os democratas enfrentarão uma disputa acirrada pela Casa Branca e têm boas chances de reconquistar o mando do Congresso.
Clinton apresentou a proposta em discurso no qual o líder americano anunciou a agenda americana para a nona rodada de liberalização do comércio desde a criação do Acordo Geral de Comércio e Tarifas, o GATT, em 1948.
Como esperado, o líder americano confirmou que a liberalização do comércio agrícola - com a redução das tarifas médias hoje de 50% e a eliminação de subsídios à exportação - estará no topo da agenda americana na nova rodada de negociações. Washington insistirá também na continuação da abertura do setor serviços, em maior transparências das compras governamentais e no aprofundamento da liberalização do comércio das tecnologias de informação, iniciada na primeira reunião ministerial da OMC, em Cingapura, em 1995. A não taxação do comércio eletrônico, via internet, será mantida como prioridade americana. Os EUA querem que haja acordos interinos, que entrem em vigor antes do final da rodada, e trabalharão para que a negociação seja concluída no prazo previsto de três anos.
Os assessores presidenciais deixaram clara hoje a preocupação da administração de apresentar todas essas propostas numa embalagem politicamente atraente para os americanos. Gene Sperling, o diretor do Conselho de Política Econômica da Casa Branca, enfatizou o desejo de Clinton de conduzir as negociações na OMC de uma maneira que promova "os temas que dão uma face humana à economia global".
A representante de Comércio da Casa Branca, Charlene Barshefsky, que comandará a delegação americana à reunião de Seattle, disse que a administração "quer assegurar que a continuação da abertura comercial ajude a promover padroões trabalhistas internacionalmente reconhecidos". Segundo ela, esse trabalho incluirá não apenas a Organização Internacional do Trabalho, o órgão reconhecido hoje como o foro para a discussão das questões trabalhistas relacionadas ao comércio. Os EUA, informou Barshefsky, procurarão criar "um grupo de trabalho analítico na OMC, com a participação do Banco Mundial, do Fundo Monetário Internacional, da OIT e da UNCTAD, entre outros, para examinar questões tais como: a existência de redes de proteção social nos países, a melhor maneira de conduzir políticas de ajustamento e de competição e a relação entre a abertura de mercados e o respeito aos padrões trabalhistas mundialmente aceitos".





