Washington, 28 (AE-AP) - A administração Clinton pediu ao general Wesley Clark, o comandante americano que liderou a bem sucedida campanha de bombardeios da Otan contra a Iugoslávia, para abandonar seu comando dois meses antes do programado no ano que vem.
"Quando a jornada de um soldado terminou, está terminado", disse hoje Clark, um general do exército de quatro estrelas que é o comandante-supremo aliado na Europa. Ele considerou a situação como um mudança rotineira de pessoal.
"Sou muito orgulhoso de vestir este uniforme. Eu amo meu trabalho", afirmou ele em Vilnius, Lituânia, depois de reunir-se com o presidente lituano, Valdas Adamkus, segundo o Serviço de Notícias Báltico. Ele foi informado sobre a mudança de comando na terça-feira por um telefonema do general Hugh Shelton, comandante do Estado-Maior Conjunto dos EUA.
Na Casa Branca, o porta-voz Joe Lockhart insistiu que Clark não está sendo punido por suas críticas à estratégia da aliança em Kosovo, e tensões no tempo da guerra com a administração Clinton.
"Ninguém está sendo empurrado para fora, ninguém está sendo forçado a sair", afirmou Lockhart.
Clark, que teve o árduo trabalho de manter unida uma multinacional militar Otan durante a campanha aérea de 11 semanas contra a Iugoslávia, tinha programado deixar o comando em julho do ano que vem, tendo acabado de receber uma costumeira extensão de um ano de seu mandato como comandante da Otan na Europa. Mas a administração Clinton decidiu colocar em seu lugar o general da Força Aérea Joseph Ralston, hoje subcomandante do Estado Maior.
A atual nomeação de Ralston se expira em fevereiro e para evitar uma automática redução em seu escalão ao deixar um posto do Estado Maior, sua indicação como comandante europeu tem de entrar em vigor em maio.
A mudança na escala de Clark, aprovada pelo secretário da Defesa William Cohen, ocorre um mês depois que a Otan pôs fim à campanha aérea contra a Iugoslávia, tendo forçado Belgrado a suspender sua campanha de repressão contra a população albanesa étnica na sua província sulista de Kosovo.
Falando hoje a jornalistas na Embaixada americana em Tóquio, Cohen disse que tinha alta consideração por Clark e atribuiu sua substituição prematura a uma questão de tempo e não uma medida da performance de Clark.
Em meio a muitas críticas e contra generalizadas dúvidas, a campanha aérea conseguiu forçar o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, a retirar suas tropas de Kosovo e suspender a campanha terrestre contra os muçulmanos albaneses kosovares. Um força de paz da Otan está agora na região.
Clark serviu não apenas como comandante das forças dos EUA na Europa, mas também como comandante-supremo de todas as forças da Otan, um posto que exige a aprovação não apenas do presidente Bill Clinton, mas dos 18 aliados da Otan. A relação do general com Cohen tem sido muito mais fria do que a de alguns outros comandantes de campo dos EUA, segundo uma autoridade de defesa.
Entre outras coisas, Clark defendeu em conselhos privados que a Otan deixasse aberta a opção de usar tropas terrestres em Kosovo, algo que Cohen se opôs veementemente.
Ele também não compartilhou da convicção da secretária de Estado americana, Madeleine Albright, segundo a qual bastariam poucos dias de bombardeios para obrigar Milosevic a retirar suas forças de Kosovo. À época, Clark advertiu: "A Iugoslávia não é o Iraque. A guerra será longa".
Clark conhecia bem Milosevic, com quem havia tratado o acordo da Bósnia.

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