Islamabad, 25 (AE-AP) - Apresentando-se como um "amigo preocupado" pela região, o presidente americano, Bill Clinton falou hoje (25) em rede nacional de TV ao povo paquistanês e pediu o retorno da democracia ao país. Ele também disse estar convencido de que os problemas econômicos e políticos impedem o Paquistão de desenvolver todo seu potencial.
Assim como em sua visita de cinco dias à vizinha Índia, Clinton destacou também em Islamabad que o conflito na região fronteiriça da Caxemira, pela qual o Paquistão e a Índia travaram duas guerras, não pode ser resolvido militarmente.
O líder americano exigiu o fim da violência na região e o respeito à Linha de Controle, que divide a Caxemira em duas partes - uma controlada por Nova Délhi e outra por Islamabad. Clinton também ameaçou o Paquistão com a perda da ajuda americana e da comunidade internacional caso ocorra uma nova guerra por causa da Caxemira.
Hoje foram registrados novos incidentes na região himalaia. Cinco civis foram mortos pelo Exército indiano quando tentavam atravessar a Linha de Controle. De acordo com o Exército indiano, os mortos eram "militantes estrangeiros" envolvidos no massacre da semana passada de 35 civis da etnia sikh. Um porta-voz do Exército disse que o tiroteio entre os soldados e os "invasores" ocorreu no vilarejo de Panchaltran, no sul da Caxemira, próximo a Chitisingpora, onde ocorreu a matança dos sikhs.
Antes de dirigir-se aos 135 milhões de paquistaneses, Clinton teve um infrutífero encontro de aproximadamente 40 minutos com o general Pervez Musharraf, que dirige o Paquistão desde o golpe de Estado de 12 de outubro. Apesar da pressão do presidente americano, Musharraf não estabeleceu nenhum calendário para a restauração da democracia no país. O líder golpista anunciou na quinta-feira a realização de eleições locais para o próximo ano, sem, contudo, estabelecer uma data sobre a restituição do poder a um governo civil.
A respeito da proliferação nuclear, o Paquistão comprometeu-se a não exportar tecnologias consideradas perigosas, mas recusou-se, assim como a Índia, a firmar o Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBT). A Índia e o Paquistão realizaram em maio de 1998 vários testes nucleares, entrando para o reduzido grupo de potências atômicas.
Clinton também pediu ao regime militar que não condene à morte o ex-primeiro-ministro deposto Nawaz Sharif, que está sendo julgado pelas acusações de sequestro e tentativa de assassinato. Musharraf disse não ser vingativo, mas não podia prever o veredicto.