Clinton joga sobre republicanos responsabilidade de rejeitar o CTBT Do correspondente PAULO SOTERO
Washington, 13 (AE) - Num gesto calculado para deixar aos republicanos a responsabilidade política exclusiva de rejeitar o Tratado Abrangente de Banimento dos Testes Nucleares (CTBT), que os Estados Unidos promoveram como um passo crucial para o controle de armas de destruição de massa e mais de 150 países firmaram nos últimos três anos, a Casa Branca e a bancada minoritária do Partido Democrata no Senado abandonaram hoje (13) as negociações para o adiamento da votação e avisaram que transformarão o assunto em tema da campanha eleitoral do ano que vem. Perto de dois terços dos americanos são favoráveis à ratificação do CTBT.
A decisão abriu caminho para a pior derrota da política externa da administração Clinton. A ratificação pelos EUA é condição para o CTBT entrar em vigor. Há vários dias tinha ficado claro que o presidente não conseguiria a minoria de dois terços, ou 67 votos, necessários para a aprovação do tratado no Senado. No início da semana, Clitnon pediu por escrito o adiamento da votação, mas recusou-se a atender a condição apresentada pelos republicanos de não mais apresentar o CTBT para ratificação. Os conservadores consideram o tratado inaplicável e/ou contrário aos interesses de segurança do país.
Com quatro dos 55 senadores republicanos determinados a forçar a votação e derrotar o tratado, em lugar de simplesmente arquivá-lo, o desfecho dependia, no final da tarde de hoje, de um derradeiro esforço de alguns senadores veteranos, como John Warner, de Virginia, que compreendem as implicações que um voto negativo teria para a credibilidade dos EUA. No início da semana, Clinton lembrou que a rejeição do tratado seria a primeira grande derrota de um acordo internacional no Senado dos EUA desde a derrota do Tratado de Versailles, após a Primeira Guerra Mundial.
Hoje, no plenário, o democrata de Delaware e vice-presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Joseph Biden, usou o golpe militar no Paquistão para tentar ganhar adeptos para o tratado. "Há uma luta interna em curso no Paquistão sobre o que eles devem fazer com sua capacidade nuclear", disse Biden. Segundo o senador, a rejeição do tratado reduzirá dramaticamente a capacidade dos EUA de influenciar a política de não proliferação . Antes mesmo de ficar claro se haveria ou não a votação, a secretária de Estado, Madeleine Albright, iniciou uma operação preventiva de controle de danos. Em discurso na Universidade de Maine, ela disse que a administração continuará a trabalhar para que os países que já assinaram o tratado o ratifiquem. Ela informou também que os EUA não têm nenhum plano para fazer novos testes, encorajará outros países a não testar e, mesmo sem a vigência do CTBT, trabalhará pela criação do sistema internacional de monitoramento que o tratado prevê para detectar possíveis testes.
O Brasil é um dos 48 países que assinaram e ratificaram o tratado. A Inglaterra e a França, dois aliados próximos dos EUA que também aderiram plenamente ao CTBT, disseram hoje que sua rejeição pelo Senado americano representaria um perigoso sinal para o resto do mundo e uma demonstração de falta de seriedade de Washington na adoção e execução da política de controle de armas nucleares que recomenda a outros países.





