Clinton impõe sanções contra Taliban
Washington, 06 (AE-AP) - O presidente Bill Clinton impôs sanções financeiras contra a milícia religiosa Taliban que governa o Afeganistão em retaliação por seu apoio a Osama bin Laden, o suposto terrorista internacional.
Clinton assinou na segunda-feira uma ordem executiva impondo as sanções. Bin Laden foi colocado na lista dos "Dez mais Procurados" do FBI no mês passado, sendo oferecida uma recompensa de US$ 5 milhões por informações que levem à sua prisão.
"Até hoje, bin Laden e sua rede continuam a planejar novos ataques contra americanos sem se importarem com vítimas inocentes ou com aqueles não-americanos que poderiam estar no caminho do ataque", disse Clinton num comunicado por escrito.
Ele afirmou que sua ordem executiva "irá aprofundar o isolamento internacional do Taliban, limitar sua capacidade de apoiar redes terroristas e demonstrar a necessidade de se agir conforme as normas aceitas de comportamento internacional".
Em termos práticos, o impacto das sanções serão provavelmente modesto, admitiu um alto funcionário da administração, que pediu para não ser identificado.
Não ficou claro que bens podem ser afetados, afirmou o funcionário, mas ele declarou que a ação envia um forte sinal de que os Estados Unidos não irão tolerar aqueles que abrigam terroristas internacionais.
O comércio dos EUA com o Afeganistão totalizou US$ 24 milhões em 1998. Os Estados Unidos mantêm sanções em vigor contra mais de duas dúzias de países, de Angola à Zâmbia, que somam mais da metade da população mundial.
A ordem congela qualquer propriedade do Taliban dentro da jurisdição dos EUA. Ela também proibe transações e comércio com o Taliban ou em território controlado pela milícia, impedindo qualquer investimento dos EUA.
Os Estados Unidos exigem que o Taliban entregue bin Laden aos EUA a fim de ser julgado - ou para um terceiro país onde ele poderia enfrentar a justiça por supostos crimes.
A administração Clinton acusa bin Laden de ter orquestrado os atentados a bomba de 7 de agosto de 1998 contra as embaixadas dos EUA no Quênia e Tanzânia que mataram mais de 200 pessoas e feriram milhares.
Washington alega que bin Laden ainda está escondido no Afeganistão. Outros sugerem que ele estaria a caminho de algum outro país - Somália, Chechênia ou mesmo o Iraque -, preferencialmente alguma lugar onde reine a anarquia e rico em sentimentos antiamericanos.
Líderes do Taliban insistem que eles não sabem do paradeiro de bin Laden.
Em Londres, o jornal Observer divulgou no domingo que bin Laden teria mudado há dois meses para uma nova base no Afeganistão, numa antiga fazenda coletiva na vila de Farmihadda, a poucos quilômetros ao sul de Jalalabad, no leste do Afeganistão, nas proximidades da fronteira com o Paquistão.





