Washington, 01 (AE) - O ano 2000 chegou, os sistemas de computadores continuaram funcionando e não aconteceu rigorosamente nada de notável além das festas. Nos Estados Unidos, o único problema da passagem do ano foi, talvez, a frustração das milhares de pessoas que foram ao Mall, a grande esplanada central de Washington, para celebrar o ano-novo.
Um segundo antes da meia-noite, o presidente Bill Clinton acionou um dispositivo de um palco montado diante do Memorial de Lincoln e acendeu uma cortina de fogos que atravessou o espelho dágua e iluminou o monumento a George Washington, o fundador do país, com um show de luzes seguido por explosões coloridas.
Mas os fogos duraram não mais do que dois minutos e deixaram muita gente desapontada. O foguetório mais longo começou somente uma hora mais tarde, no fim de um espetáculo de três horas produzido por Steven Spielberg, depois que boa parte da multidão havia deixado o Mall.
Num breve discurso, pouco antes da meia-noite, Clinton desejou que o século 21 seja o do "triunfo da liberdade, usada com sabedoria, para trazer a paz a um mundo no qual respeitemos nossas diferenças e, mais do que isso, honremos a humanidade que compartilhamos". Líder de um país de menos de 250 anos de idade que chega ao ano 2000 numa posição de poder global que muitos comparam ao da Roma antiga, o presidente norte-americano disse que sua "mais solene oração para o novo milênio (sic) é que encontraremos a força e a sabedoria em nossos corações para continuar a crescer juntos, primeiro como uma América e depois como um povo nesse planeta cada vez menor em que vivemos".
Ao amanhecer, John Koshinen, que comandou a comissão nacional nomeada por Clinton para enfrentar o chamado "bug do milênio", disse que não havia recebido uma única notícia de problema com computadores. O temor, que levou o governo e as empresas norte-americanas a investir cerca de US$ 100 bilhões, era que os sistemas informatizados mais antigos, usados nos Estados Unidos e no restante do mundo na administração e operação de serviços públicos como a produção e distribuição de energia elétrica, no tráfego aéreo e nos negócios, não leriam os dois zeros finais do ano 2000 corretamente, mas como 1900.
Na semana passada, o Federal Reserve, banco central dos EUA, alegou preocupação com os possíveis efeitos do "bug" para justificar sua decisão de não subir a taxa de juros, medida que considera necessária para desacelerar o crescimento da economia americana e inibir pressões inflacionárias.
Entre os poucos incidentes registrados, os relógios em oito usinas elétricas nos EUA adiantaram até 35 horas depois que elas perderam contato, momentaneamente, como satélites de posicionamento geográfico. Mas o fornecimento de energia não foi interrompido e o problema foi logo resolvido. No Observatório Naval de Washington, o relógio atômico que dá a hora oficial nos EUA errou a data de 1º de janeiro em seu site na Internet, que apareceu durante horas nas primeira horas do ano-novo como "19100".
Mas este e outros problemas não foram causados por circuitos de computadores incapazes de ler corretamente os zeros do ano 2000, mas por desacertos de programação que foram logo resolvidos.