Clinton e Vajpayee expressam diferenças sobre proliferação nuclear
Nova Délhi, 22 (AE-AP) - O presidente americano, Bill Clinton, e o primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, demonstraram suas divergências de opinião hoje (22) em seus discursos ao Parlamento indiano. Clinton pediu à Índia que dê um exemplo de democracia optando pela não proliferação nuclear e se esforçe para retomar o diálogo com seu vizinho e rival Paquistão.
"Se os ensaios nucleares da Índia estremeceram o mundo, uma liderança de Nova Délhi em matéria de não proliferação pode certamente fazer o mesmo", declarou Clinton em seu segundo dia de visita à Índia.
Desde os ensaios nucleares que a Índia realizou em maio de 1998, este país vem resistindo às pressões dos Estados Unidos para que assine o Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP). Ao reconhecer que os EUA são uma potência nuclear e seu Senado ainda não ratificou o TNP, Clinton destacou que seu país avança pelo caminho do desarmamento.
Já o primeiro-ministro indiano reafirmou que a Índia necessita exercer a dissuasão, mas destacou a determinação de seu país de atuar com "prudência e responsabilidade".
Clinton renovou seu pedido pela retomada do diálogo indo- paquistanês, congelado há mais de um ano, disse que não tinha a intenção de servir como mediador e declarou que o massacre de 36 sikhs - minoria étnica da Índia - segunda-feira na Caxemira evidencia a urgência de uma solução para o conflito da região himalaia, dividida entre a Índia e o Paquistão há mais de meio século.
Dando respaldo às acusações indianas, Clinton também questionou seriamente o Paquistão pela violência na disputada região. "Acho que há elementos dentro do governo paquistanês que apóiam os que vêm lançado a violência na Caxemira", disse em entrevista à rede ABC.
Cerca de 15 mil hindus e sikhs manifestaram-se hoje em Jammu (capital da Caxemira indiana) pelo fim da violência e contra o Paquistão. Ao mesmo tempo, uma greve geral, convocada pelos partidos muçulmanos para chamar a atenção internacional sobre a divisão do território, paralisava a região.
Acompanhado da filha, Chelsea, Clinton visitou à tarde o Taj Mahal declarando que era algo que sempre desejou fazer. Durante a visita ao mausoléu, o líder americano defendeu a purificação do meio ambiente, exortando uma maior cooperação entre os EUA e a Índia para proteger os recursos do planeta.





