Clinton e D'Alema concordam em rever medidas de segurança
Washington, 05 (AE-REUTERS) - O primeiro-ministro italiano, Massimo DAlema, e o presidente dos EUA, Bill Clinton, concordaram hoje (05) em rever as medidas de segurança para assegurar que o desastre com o teleférico italiano não se repita.
Clinton disse que ele e DAlema entraram em um acordo para que seus ministros de Defesa revejam medidas operacionais para determinar se serão necessário novos passos para se ter certeza de que os mais altos níveis de segurança sejam atingidos.
DAlema reuniu-se com Clinton hoje em Washington, um dia depois de ter-se declarado "perplexo" com o veredicto de uma corte marcial instalada em Camp Lejeune, na Carolina do Norte, que absolveu o piloto marine acusado de ter sido o responsável por um acidente que causou a morte de 20 pessoas na Itália, em fevereiro do ano passado. O capitão Richard Ashby, de 31 anos, pilotava um avião militar que cortou os cabos de um teleférico na estação de esqui de Cavalese, nos Alpes italianos.
"Os EUA devem assumir sem ambiguidades a responsabilidade pelo que ocorreu", disse Clinton, na entrevista coletiva que se seguiu à reunião. "Não buscamos um bode expiatório, mas esperamos que se decida quem foi o responsável (pelo acidente) para que sejam aplicadas as sanções cabíveis", declarou DAlema.
Entre os mortos no episódio estão sete alemães, cinco belgas, três italianos, dois poloneses, dois austríacos e um holandês. Sem exceção, o governo de todos os países de origem das vítimas protestaram formalmente contra a decisão. O governo da Bélgica foi mais longe, pedindo explicações oficiais sobre a absolvição de Ashby.
De acordo os representantes dos parentes das vítimas, Ashby pilotava seu EA-6B Prowler a baixa altitude e em velocidade acima da permitida no momento do acidente. Os advogados de defesa argumentaram que o altímetro do avião estava com defeito e os cabos do teleférico não constavam dos mapas de navegação fornecidos à tripulação na base militar da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) de Aviano, na Itália, de onde tinha decolado.
Na cabine de comando do avião estava também o co-piloto Joseph Schweitzer, que deve ser julgado pela mesma corte marcial de Camp Lejeune. O resultado do julgamento de Ashby, porém, torna improvável que ele venha a ser condenado. "Tenho de ser muito cauteloso sobre o caso porque ele é motivo de outros processos", afirmou Clinton na entrevista de hoje.
Ontem, logo depois do anúncio da sentença, Lothar Naumann, prefeito da cidade de Burgstaedt, onde moravam as sete vítimas alemãs, afirmou ter recebido uma carta de Clinton, na qual ele defendia que os EUA se responsabilizassem pelo pagamento de 75% das indenizações para os familiares das vítimas. Até agora, os advogados partiam do pressuposto de que os americanos arcariam com o total das indenizações.
Washington, dessa forma, estaria lançando mão de uma cláusula do estatuto de tropas da Otan, que prevê o pagamento de compensações por danos civis causados por acidentes militares. Pelo estatuto, o país que enviou a máquina militar causadora do acidente é responsável por 75% da indenização e a nação em cujo território se dê a ocorrência, no caso a Itália, complementa o pagamento.





