Londres, 09 (AE-ANSA) - O presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, e o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, conversaram hoje (09) por cerca de 20 minutos sobre a questão do Timor Leste. De acordo com o porta-voz do governo britânico, ambos os governantes decidiram seguir uma dupla estratégia, política e diplomática, para restabelecer a ordem na ex-colônia portuguesa. "Clinton e Blair estão convencidos da importância de enviar uma força internacional da ONU ao Timor Leste. Porém, reconhecem que, no futuro imediato, os únicos que podem restabelecer a lei e a ordem e desarmar as milícias são os indonésios", disse o porta-voz. Ambos os governantes expressaram igual opinião de que "um esforço concentrado para persuadir a Indonésia a aceitar o desembarque de uma força internacional de paz deve ser sustentado por iniciativas destinadas a construir um consenso político à ação. Os dois líderes irão trabalhar em conjunto para obter esse consenso necessário para o envio das tropas pelo Conselho de Segurança da ONU, informou o porta-voz britânico. A força internacional deverá ser liderada por países da região, como Austrália e Nova Zelândia. Frente ao aumento da violência, o prêmio Nobel da Paz e um dos líderes do movimento separatista do Timor Leste, José Ramos Horta, voltou a pedir o envio de uma força internacional de paz ao território. "Bastariam apenas algumas unidades militares australianas, da Nova Zelândia e dos Estados Unidos que, no entanto, teriam de atuar com vigor contra os quase dois mil soldados das forças especiais da Indonésia, sobre os quais Jacarta perdeu completamente o controle", disse numa entrevista publicada hoje (09) no jornal austríaco Der Standard. Para Ramos Horta, as tropas da ONU teriam que permanecer no Timor Leste até a consolidação do processo de independência, o que levaria cerca de dois anos. Na entrevista, Ramos Horta declarou que no "Timor Leste está ocorrendo uma limpeza étnica como a que foi perpetrada nos Bálcãs, o que representa uma grave derrota para as Nações Unidas". Ramos Horta, de 49 anos, natural de Dili, foi premiado com o Nobel da Paz em 1996, junto com seu compatriota o bispo Carlos Filipe Ximenes Belo. "Por diversas vezes alertei a ONU para não confiar nas forças de segurança da Indonésia e a não acreditar em sua promessa de desarmar as milícias", declarou Ramos Horta.

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