Clinton diz que porta para o diálogo está aberta
Washington, 03 (AE-AP) - Pouco antes de receber hoje (03) na Casa Branca o negociador russo para a Iugoslávia, Viktor Chernomyrdin, o presidente Bill Clinton disse que a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) poderia suspender a campanha aérea contra objetivos militares e estratégicos iugoslavos se o presidente Slobodan Milosevic fizer mudanças radicais em sua política de limpeza étnica em Kosovo.
"Nossas condições para pôr fim ao bombardeio não são complicadas", disse Clinton, que elogiou os esforços da Rússia, particularmente do ex-primeiro-ministro Chernomyrdin, na busca de uma saída negociada para a crise. "A porta para o diálogo está sempre aberta", destacou ele. "Há muito o que conversar."
Chernomyrdin apresentou a Clinton e ao vice-presidente Al Gore uma carta do presidente russo Boris Yeltsin contendo os principais pontos da proposta de acordo russa - muitos dos quais coincidem com as exigências da Otan para encerrar a campanha militar. Não há consenso, no entanto, num item que a Otan considera fundamental para estabilizar os Bálcãs: o desembarque de uma força da aliança na província para fazer cumprir os termos de um eventual acordo.
Belgrado rejeita e propõe uma missão civil (não integrada por membros dos 19 países da Otan) sob bandeira da ONU. Moscou sugere o deslocamento de uma força militar com forte presença russa, sob bandeira da ONU e mandato do Conselho de Segurança.
A Otan, com o consentimento de Washington, aceitaria um contingente com bandeira da ONU e integrado também por países não-membros da aliança atlântica (caso da Rússia e da Ucrânia), mas não abriria mão do comando. Esse parece ser, segundo fontes diplomáticas, o principal entrave para um acordo.
"Nossas condições são inegociáveis", voltou a advertir hoje o porta-voz da Otan, Jamie Shea, depois de elogiar a atuação do pastor Jesse Jackson, que obteve de Milosevic a libertação dos três soldados norte-americanos capturados em 31 de março. Jackson é portador de uma carta do presidente sérvio a Clinton.
Os observadores internacionais acreditam que, depois de 42 dias de bombardeio, Milosevic começa a dar claros indícios de que pretende jogar a toalha. A grande movimentação diplomática, desencadeada depois do primeiro encontro de Chernomyrdin com o presidente iugoslavo há duas semanas é, no entender deles, uma prova evidente.
Como parte mais significativa dessa movimentação, eles citam a viagem relâmpago que Clinton fará à Europa esta semana. Com o pretexto de visitar pilotos e soldados norte-americanos que participam da Operação Força Aliada, ele estará em Bonn na terça-feira, onde debaterá com o chanceler alemão Gerhard Schroeder temas relacionados com a campanha militar e, principalmente, a iniciativa de paz dos russos.
Em Moscou, o chanceler russo Igor Ivanov também desenvolve intenso trabalho de bastidor. Ele recebeu no Kremlin o colega belga, Erik Deryjcke, afirmando que estão sendo levadas a cabo decisões de consenso, que permitem pôr em marcha um mecanismo eficaz de negociação.





