Clinton diz que ofensiva só termina com vitória
Belgrado, 05 (AE-REUTERS) - Enquanto a aviação da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) iniciava o 13º dia de bombardeio da Iugoslávia (destruindo o QG da Força Aérea, no sul do país), o presidente Bill Clinton enviava mensagem ao Congresso americano afirmando que os Estados Unidos vão continuar a guerra até a vitória.
Os mísseis da Otan destruíram uma refinaria de petróleo nas proximidades de Novi Sad, no norte da Sérvia, e uma ponte sobre o rio Danúbio na noite desta segunda-feira (05). A agência estatal Tanjug informou que chamas e colunas de fumaça se levantavam da refinaria pouco depois de as fortes detonações estremecerem a área. Não havia informações imediatas sobre possíveis vítimas.
Em Washington, Clinton escreveu em carta às presidências da Câmara dos Representantes e do Senado: "Não é possível prever a duração da ofensiva. Estamos decididos a sustentar esse esforço com nossos aliados o tempo que for necessário para atingir nossos objetivos."
Em breve entrevista coletiva, Clinton reiterou os termos da mensagem e dirigiu nova advertência ao presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic. "Não vamos aceitar meias medidas para o conflito de Kosovo", destacou referindo-se a previsões atribuídas a fontes diplomáticas de que Milosevic, após os últimos bombardeios, deverá apresentar uma oferta de acordo.
Acompanhado pela secretária de Estado, Madeleine Albright, e pelo secretário da Defesa, William Cohen, Clinton deixou claro que não aceitará nenhuma proposta que não contenha a completa retirada das tropas sérvias de Kosovo e a autorização para o regresso dos refugiados a suas casas.
"Não nos vamos conformar com uma paz falsa", acrescentou o porta-voz do Departamento de Estado, James Rubin. Ele adiantou que Albright se comunicou por telefone com os chanceleres da Otan, reafirmando a "firme posição" da Casa Branca.
Por sua vez, o secretário da Defesa, William Cohen, desfez temores existentes entre parlamentares americanos sobre o deslocamento de helicópteros Apache (equipados com mísseis) para o cenário do conflito. "Isso não é o prenúncio de uma ação de forças terrestres", garantiu. "Os helicópteros serão usados na ofensiva contra tropas e tanques sérvios em Kosovo."
Em Bruxelas, o porta-voz da Otan, Jamie Shea, estimou em 831 mil o número de refugiados de Kosovo de um ano para cá. Mais da metade desse total foi forçada a abandonar suas casas a partir do dia 24, quando começaram os bombardeios da Otan e os sérvios intensificaram a repressão na província.
Hoje, começou a funcionar a ponte aérea estabelecida pela Otan para levar refugiados a países europeus e EUA. O primeiro avião partiu da Macedônia e desceu em Corlu, na Turquia. Levava 150 pessoas - em sua maioria idosos e crianças - em precárias condições de saúde. Foram imediatamente submetidos a tratamento médico.
Há pelo menos 400 mil pessoas exaustas e famintas em campos abertos na Macedônia, Albânia e Montenegro, aguardando socorro. Governos europeus estão dispostos a receber pelo menos 100 mil albaneses étnicos. Os EUA também manifestaram intenção de acolher um "número expressivo de vítimas dos sérvios".
Por sua vez, a Rússia anunciou que começará a enviar esta semana "ajuda humanitária às vítimas do bombardeio da Otan". Um comboio de 120 caminhões partirá quarta-feira de Moscou, com 900 toneladas de alimentos e remédios.
Em Pristina, o líder moderado albanês étnico Ibrahim Rugova recebeu o primeiro-ministro iugoslavo, Nikola Sainovic, e "decidiu" trabalhar em conjunto com ele para reativar o processo de paz. Rugova pediu o fim dos bombardeios da Otan e também autorização a Belgrado para uma viagem ao exterior a fim de explicar sua posição.
No campo militar, o Pentágono informou que a ofensiva começa a ter impacto. "Mas não conseguimos deter a marcha do Exército sérvio", disse o porta-voz Kenneth Bacon.
O porta-voz da Otan David Wilby informou que caças-bombardeiros e mísseis Tomahawk atingiram e destruíram 27 objetivos, entre os quais o prédio do alto comando da Força Aérea em Zemun (perto de Belgrado), um QG da Força Aérea em Nis (sul), e uma refinaria de petróleo e uma central de energia elétrica em Novi Sad (norte).





