Clinton deve pedir redução de US$ 350 bilhões em impostos Da correspondente Monica Yanakiew
Washington, 27 (AE) - Faltando um ano para o fim de seu segundo mandato e no meio de uma acirrada campanha eleitoral, o presidente dos Estados Unidos, Bill Clinton, tem poucas chances para aprovar qualquer proposta, antiga ou nova.
No Congresso, ele enfrenta a maioria do Partido Republicano - o mesmo que tentou retirá-lo do cargo em janeiro passado e cuja principal preocupação hoje é reconquistar a Casa Branca.
Mesmo assim, Clinton deve surpreender nesta quinta-feira (27) com seu discurso de Estado da União, demonstrando mais uma vez a sua habilidade política.
Clinton não só deve anunciar os êxitos de seus oito anos de governo (que são muitos, especialmente na área econômica), como fazer uma série de novas propostas. Muitas delas são na área social e agradam seus eleitores do Partido Democrata.
Mas outras, como uma reducão de US$ 350 bilhões em impostos, são a bandeira dos republicanos. Seu principal candidato às eleições de novembro, o governador do Texas, George Bush, propôs reduzir os impostos em US$ 483 bilhões em cinco anos.
Clinton dificilmente terá o tempo para cumpri-las, mas pelo menos enviará uma mensagem aos eleitores americanos: quem gostou de viver nessa era de prosperidade quer pagar menos impostos e acha importante melhorar a educação e a saúde pública tem uma saída. Basta votar em Al Gore - seu vice-presidente e candidato à sucessão.
O Estado da União é um discurso que todos os presidentes dos EUA fazem, uma vez por ano, para detalhar perante o Congresso a situação do país e as propostas para o futuro.
Em 1999, o discurso de Clinton coincidiu com a votação de seu impeachment. Se ele tivesse perdido, teria de renunciar prematuramente ao cargo por causa de sua relação com a ex-estagiária da Casa Branca, Monica Lewinsky.
Nos últimos meses, Gore (o filho de um político, que peca por ser certinho demais) tentou tomar distância moral de Clinton. Mas sua principal força está no êxito de um governo do Partido Democrata, que realizou todas as promessas do Partido Republicano.
Hoje, Clinton, tendo a seu lado Gore, deve enumerar seus sucessos, atribuindo boa parte deles a seu vice - cuja eleição seria uma aprovação de sua gestão.
Clinton e Gore reduziram o desemprego pela metade (de 7,5% para 4,1%), mas principalmente para mulheres, negros e hispânicos, as minorias que mais voz têm em eleições. Desde 1993
20,4 milhões de empregos foram criados - mais do que os presidentes Ronald Reagan e George Bush (pai do governador do Texas que hoje disputa as eleições) criaram em 12 anos de governo republicano. A economia está crescendo por 106 meses consecutivos.
No seu discurso, Clinton deve explicar que graças à era de prosperidade ele poderá propor uma Nova Oportunidade. Esse plano inclui investimentos de US$ 110 bilhões para melhorar saúde (44 milhões não têm seguro de saúde) e a educação. Mas também contempla um aumento de 7% de no orçamento da defesa (algo que os republicanos vinham cobrando de sua administração).





