Seattle, 01 (AE) - Com o centro de Seattle ocupado por forças policiais e declarado zona proibida para protestos, o presidente Bill Clinton usou hoje as manifestações da véspera contra a Organização Mundial de Comércio (OMC) para defender a proposta dos Estados Unidos em favor de maior transparência nas deliberações e da inclusão do respeito aos direitos fundamentais dos trabalhadores nas normas do comércio internacional.
Clinton, que faria um discurso mais tarde aos delegados da 3ª Conferência Ministerial da OMC, antecipou a essência de sua mensagem em entrevista ao principal jornal local, o "Seattle Post-Intelligencer", e num discurso ao agricultores do Estado de Washington. Em ambos fez uma forte defesa do lançamento de uma nova rodada de liberalização comercial, o principal objetivo da reunião da OMC, mas advertiu que a continuação da abertura precisa incluir "as preocupações legítimas dos manifestantes que se expressaram pacificamente". Em suas declarações ao "Post-Intelligencer", o líder americano foi muito além da proposta conhecida de seu governo, de criação de um grupo de trabalho na OMC para estudar os vínculos entre os direitos trabalhistas e o comércio.
Justificando os temores dos países em desenvolvimento, que vêem na iniciativa dos EUA o início da criação de um novo tipo de protecionismo, Clinton disse que a discussão do assunto na OMC deve levar a um sistema capaz de impor sanções às nações que não observam os direitos dos trabalhadores. Ele disse também que os americanos não devem comprar produtos de companhias que exploram trabalhadores.
"O que (a OMC) deve fazer em primeiro lugar é adotar a posição americana e criar um grupo de trabalho", disse. "Esse grupo deveria desenvolver os padrões trabalhistas fundamentais, que deveriam, por sua vez, tornar-se parte de todos os acordos comerciais." No fim, acrescentou, "eu favoreceria um sistema no qual haveria sanções pela violação de qualquer parte de um acordo de comércio".
Obviamente, o presidente americano tomou o cuidado de condenar os episódios de violência da manifestação do dia anterior, que transformaram o centro de Seattle numa zona de guerra. "Eu lamento que um pequeno grupo de pessoas tenha feito coisas não pacíficas e tentado bloquear o acesso e impedir a reunião (da OMC)", disse. "Isso não é só ilegal, é errado."

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