Washington, 24 (AE) - O presidente Bill Clinton condenou nesta quarta-feira (24) o assassinato do vice-presidente do Paraguai, Luis Maria Argaña, manifestou a "profunda tristeza" dos Estados Unidos diante do episódio e exortou os paraguaios a colocar de lado suas diferenças políticas e defender juntos a democracia.
"Nós condenamos fortemente esse brutal assassinato, que ocorreu contra um pano de fundo de distúrbios políticos", afirmou Clinton numa declaração divulgada pela Casa Branca.
Numa indicação de que Washington não pretende interferir diretamente na crise, a não ser para insistir na manutenção da ordem institucional e lembrar às autoridades paraguaias sua responsabilidade de encontrar os responsáveis e levá-los à Justiça, Clinton disse que se juntava ao presidente do Paraguai, Raúl Cubas, em seu apelo à união nacional.
A referência do presidente norte-americano a Cubas parece sinalizar também a impressão dominante em Washington de que o líder paraguaio provavelmente não estava no complô que matou Argaña, como acusam os partidários do ex-vice-presidente morto.
Nos meios bem informados sobre o Paraguai nos EUA as suspeitas recaem não sobre Cubas diretamente, mas sobre seu padrinho político, o general reformado Lino César Oviedo.
De acordo com essa tese, o assassinato de Argaña seria parte de um estratégia para intimidar a oposição e foi tramado por pessoas associadas ao ex-general - o mesmo que tentou dar um golpe contra o ex-presidente Juan Carlos Wasmosy em 1996 e, por essa razão, foi judicialmente desqualificado para concorrer ao palácio de Lopez, no ano passado.
A visão das poucas pessoas que acompanham a política paraguaia na capital norte-americana é que o país, embora tenha feito progressos nos seus 10 anos de experiência democrática, obviamente, continua a conviver com o velho sistema de caciques e caudilhos aos estilo do ex-ditador Alfredo Stroessner, que deu as ordens em Assunção durante mais de três décadas.
Oviedo é um exemplo disso, como foi até alguns anos atrás o próprio Argaña, um ex-aliado de Stroessner que em anos recentes passou a atuar dentro das regras da democracia. "Infelizmente, nos momentos de crise, muitos paraguaios pensam na intimidação como uma maneira normal de fazer as coisas", afirmou o analista.
Oviedo e Argaña estavam numa dura luta pelo controle do Partido Colorado. O vice-presidente discordava em quase tudo do presidente Cubas que, por sua vez, é visto como um fantoche de Oviedo - o detentor real do poder em Assunção.
A grande dúvida é se Cubas sabia da suposta trama dos oviedistas para matar Argaña. E essa é uma incógnita que provavelmente nunca será resolvida, independente do desfecho do processo de impeachment que o Congresso paraguaio instalou nesta quarta-feira contra Cubas, com base em sua decisão de libertar Oviedo e ignorar uma ordem judicial para devolvê-lo à cadeia onde cumpria sentença de 10 anos pela tentativa de golpe contra Wasmosy.
"Espero que as forças democráticas no Paraguai se unam e façam o que for necessário para manter a democracia no Paraguai", disse à Agência Estado Robert Service, que foi embaixador dos EUA durante três anos, até outubro de 1997.
Service, que deu abrigo ao ex-presidente Wasmosy durante a tentativa de golpe de Oviedo, sublinhou a importância "de se achar e punir os assassinos de Argaña".
O impacto da crise paraguaia para o Mercosul e a América do Sul entre investidores divide opiniões. A dedução óbvia, compartilhada por alguns analistas, é que ela não ajuda a imagem de uma região já marcada por uma sucessão de crises políticas e econômicas nos últimos tempos. Ao mesmo tempo, a escassa importância econômica do Paraguai e o fato de o país não estar sequer no radar da maioria das pessoas e companhias que tomam decisões de investimento na América Latina e no Mercosul tende a limitar as consequências do episódio fora de suas fronteiras.

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