Seattle, 02 (AE) - O presidente Bill Clinton citou o Brasil como país em que se explora o trabalho de crianças, ao assinar hoje a Convenção 182 da Organização Internacional do Trabalho (OIT). Essa convenção se refere à proibição e à eliminação das piores formas de trabalho infantil.
Clinton anunciou, também, o estabelecimento da primeira proibição governamental de compra de bens produzidos com atividade forçada ou com trabalho forçado ou contratado em determinadas condições.
Clinton utilizou o termo "indentured" para indicar essas condições. Esse adjetivo se refere, normalmente, a um contrato de serviço por tempo determinado, em troca de benefícios muitas vezes diferentes de salários. Imigrantes, por exemplo, faziam contratos desse tipo, com empregadores norte-americanos, em troca do pagamento da viagem.
Há uma semana, lembrou Clinton, a Aduana proibiu a importação de certos tipos de charutos enrolados a mão, por causa da prova de serem feitos com trabalho infantil forçado. Ele não indicou o país exportador desses charutos.
"Em todo o mundo, estamos investindo em soluções criativas para tirar crianças de locais de trabalho abusivo e colocá-las na escola", disse o presidente norte-americano. "Estamos dando a elas um meio para deixar a indústria de bolas no Paquistão, a de sapatos no Brasil e a de fogos de artifício na Guatemala", acrescentou.
"Nós lhes estamos devolvendo o mais precioso dos bens, a infância." Clinton descreveu a assinatura da convenção como fundamental para a afirmação dos direitos humanos.
"Afinal, a isso se referem os padrões básicos de trabaho", disse o presidente. "Não são instrumento de protecionismo ou um veículo para uma nação impoe seus valores a outro", continuou.
Esse conceito, disse, trata de valores partilhados - "a dignidade do trabalho, a decência da vida, a fragilidade e a importância da idade infantil".

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