Washington, 02 (AE) - Com a próxima cúpula do Grupo dos Oito, em pouco mais de duas semanas, em Colônia, Alemanha, transformada em prazo político para a aliança atlântica conseguir a rendição do presidente da Iugoslávia, Slobodan Milosevic, e declarar vitória, a Casa Branca anunciou hoje (02) que os chefes militares dos EUA terão um encontro amanhã com o presidente Bill Clinton para discutir os desdobramentos do conflito, que chega ao 72º dia.
O secretário da Defesa, William Cohen, disse que a reunião tratará de uma variedade de tópicos, "incluindo considerações sobre se devemos ou não devemos ter uma opção de força terrestre", e o retorno das centenas de milhares de kosovares de origem albanesa que deixaram a província meridional do que restou da antiga Iugoslávia - expulsas pelas forças de Milosevic e pelas bombas da Otan, jogadas supostamente para protegê-los.
O próprio Cohen reiterou que a administração continua empenhada em levar adiante os bombardeios contra a Iugoslávia e descartou a hipótese de um cessar-fogo pedido por Belgrado na sexta-feira, numa carta dirigida ao ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Joschka Fischer.
Na carta, o governo de Milosevic admitiu, pela primeira vez, aceitar as condições da Otan para a negociação de um acordo de paz. Essas condições incluem a retirada total de Kosovo das forças militares, paramilitares e políticas sérvias; a entrada no território de uma força internacional de 50 mil soldados sob a bandeira das Nações Unidas, mas comandadas pela Otan, para garantir e administrar o retorno de mais de 1 milhão de kosovares de origem albanesa que fugiram das forças sérvias e das bombas aliadas; e um regime autônomo e democrático de governo na província.
Segundo Cohen, "não há nenhum plano" fora da continuação da campanha aérea, até porque não existe consenso na Otan sobre a mobilização de forças terrestres para invadir Kosovo e encerrar o conflito. Clinton ampliou hoje, de 4 mil para 7 mil, o número de soldados que os EUA estão dispostos a ter numa força internacional de 50 mil soldados. "Temos a responsabilidade moral de nos opor a crimes contra a humanidade", disse ele, durante a cerimônia de formatura de 944 cadetes da Força Aérea, em Colorado Springs, Colorado.
Mas essa é uma responsabilidade que o líder americano não pretende exercer pondo em risco a vida de seus soldados e o apoio já declinante à guerra pela opinião pública. Assim, Clinton disse que a participação americana na força que ocupará Kosovo ocorrerá apenas depois do encerramento do conflito e da retirada dos sérvios.
Embora ainda não esteja claro como e quando se chegará ao cessar- fogo, os anúncios da convocação do conselho de guerra dos EUA e da disposição da administração para discutir forças terrestres foram certamente calculados para pressionar o regime de Milosevic a aceitar os termos da Otan para acabar o conflito no momento em que chegavam a Belgrado os enviados especiais da Rússia, o ex-primeiro- ministro Viktor Chernomyrdin, e da União Européia, o presidente da Finlândia, Martti Ahtisaari, para tentar uma solução negociada.
Além de anunciar o tamanho do contingente americano para a força de paz, Clinton deu outro sinal de sua preocupação de encerrar a guerra o quanto antes e tirar Kosovo da agenda política do país. Num discurso na segunda-feira, ele afirmou que não se deve contar com os cofres dos EUA para financiar o enorme trabalho de reconstrução da devastada infra-estrutura física de Kosovo e da Iugoslávia.
A maior parte do dinheiro para isso terá de sair da própria Europa, disse Clinton.

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