Washington, 10 (AE-AP) - O presidente americano, Bill Clinton, e a primeira-dama, Hillary, convocaram hoje (10) produtores de cinema, empresários da indústria de entretenimento, dirigentes de associações de pais, líderes religiosos e educadores para debater a violência nas escolas dos EUA e métodos para evitar massacres como o ocorrido dia 20 na Columbine High School, perto de Denver, Colorado.
Armados até os dentes, dois estudantes invadiram a escola e mataram 12 alunos e 1 professor antes de cometer suicídio.
O debate foi o primeiro passo concreto da administração Clinton para a adoção de medidas que visam a restringir o comércio de armas de fogo no país. Ao mesmo tempo, policiais em vários Estados estavam em alerta diante de rumores, cuja origem as autoridades não conseguiram identificar, de que um novo ataque contra estudantes ocorreria hoje.
Clinton pretende responsabilizar pais por delitos violentos cometidos por menores, aumentar de 18 para 21 anos a idade mínima para a compra de armas de fogo, proibir por toda a vida que adolescentes com antecedentes criminais possam portar armas e obrigar as indústrias a instalar dispositivos de segurança em todas as armas fabricadas.
Sem que seus dirigentes houvessem sido convidados para o encontro na Casa Branca, a National Rifle Association (NRA) - um dos mais ativos, ricos e poderosos grupos de lobby do país - apresentou-se com todo o seu estado-maior a poucos passos da sede do Executivo.
Em entrevista coletiva no National Press Club, o vice-presidente executivo da NRA, Wayne LaPierre, lamentou que Clinton tivesse excluído a associação do debate.
Logo ao abrir a reunião, porém, o presidente demonstrou quanto seria cauteloso para não ferir suscetibilidades. "Não estamos aqui para apontar culpados, mas para compartilhar responsabilidades", disse.
O cuidado na escolha das palavras tem uma razão muito pouco sutil: no fim de semana, Clinton será homenageado num banquete na residência de David Geffen, sócio de Steven Spielberg, no qual o Partido Democrata espera arrecadar entre US$ 1 milhão e US$ 1,5 milhão.
"Peço a todos aqueles que produzam qualquer coisa - filmes, discos ou videogames - de conteúdo violento, que não dirijam essa produção ao público jovem", discursou Clinton. "Cada pai, cada professor, tem muito que fazer."
Após o massacre de Colorado, as autoridades informaram que os responsáveis pelo assalto à escola, Dylan Klebold e Eric Harris, eram membros de um grupo neonazista e fãs do astro do rock-horror Marylin Manson, de jogos eletrônicos violentos e do filme de ação The Matrix.
"Não queremos nos tornar bodes expiatórios", disse o presidente da Motion Picture Association of America, Jack Valenti, na reunião. "Cabe aos pais, às igrejas e às escolas ensinar os jovens a distinguir o bem do mal."
Em Los Angeles, o anfitrião da festa de homenagem a Clinton, Geffen, emitiu opinião semelhante: "Adolescentes como os da Columbine tinham problemas colossais; antes de falar com a indústria do disco, do cinema e até de armas, a Casa Branca deveria ouvir a opinião de psiquiatras."
A NRA, cujo presidente, o ator Charlton Heston, denunciou nos últimos dias uma campanha de perseguição ao "inocente proprietário de armas", não vê necessidade de novas leis. "Bastaria que o governo fizesse respeitar a legislação já existente", afirmou LaPierre.
"Apoiamos a tolerância zero de armas em escolas e a proibição da compra de armas por pessoas que estiveram envolvidas em casos de violência quando jovens, mas essas medidas já estão previstas na legislação atual", afirmou.

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