Clínicas e centros proliferam na cidade
PUBLICAÇÃO
sábado, 31 de maio de 1997
Antônio França, 
de Foz do Iguaçu
Ney de SouzaLuta contra o vícioPalestra no Projeto Vida, criado por um ex-viciado em drogas depois de receber alta de uma clínica em Ponta GrossaFoz do Iguaçu vive uma explosão de clínicas e centros de recuperação de viciados em drogas. Somente nos últimos três anos, foram abertos quatro estabelecimentos desse tipo. Uma média de 300 jovens e adolescentes frequenta esses locais na tentativa de se livrar do vício.
Na fronteira, manter jovens distantes das drogas é uma tarefa difícil. A droga está ao alcance do braço. Basta esticá-lo. Maconha, cocaína e crack estão por toda parte: nas favelas, escolas, festinhas de classe média e condomínios de luxo.
Foz do Iguaçu é um corredor de drogas e isso facilita muito o acesso, constata a coordenadora da Clínica Ancoradouro, a psicóloga Suzana Bauken, que trabalha com 80 jovens viciados.
O Projeto Vida, criado pelo empresário e ex-viciado em drogas Marcelo Moura, 29 anos, é um dos personagens do aumento no número de centros de recuperação. No auge do vício, vendeu dois carros e um apartamento da família. Todo o dinheiro passou pelo meu nariz em forma de cocaína, revela.
Na festa de réveillon de 1993, Moura cheirou uma quantidade tão grande de cocaína que se sentia perseguido por figuras estranhas. Trancado no guarda-roupas do quarto na luxuosa mansão onde mora, ele se viu diante de sua quarta overdose. Um dia depois, refeito da overdose, decidiu abandonar as drogas. Se não parasse, sabia que ia morrer.
Em outubro de 93, Moura saiu de uma clínica de recuperação que funciona em Ponta Grossa com um pensamento: montar um centro de recuperação de viciados. Hoje, ele é protestante e dono de uma clínica. O Projeto Vida não é um negócio ou um empreendimento para dar dinheiro, diz o empresário. Ainda assim, a clínica cobra um salário mínimo por mês (R$ 120,00) da família de internos.
Preço Todas as clínicas e centros de Foz do Iguaçu têm um baixo índice de recuperação, que varia entre 30% e 40%. A cura é um termo de compromisso que o doente tem que fazer para reconstruir a sua história, afirma a psicóloga Suzana. No entanto, Moura diz que a recuperação passa pela conversão religiosa. Temos que cultivar uma vida espiritual para fugir das drogas. A utilização da bíblia na recuperação de drogados é uma polêmica entre profissionais da área de saúde e religiosos.
Das clínicas e centros de Foz do Iguaçu, apenas o Projeto Vida e a Associação Jovens Livres cobram mensalidade dos pacientes (ou alunos, como gostam de ser chamados). A mensalidade varia entre R$ 70,00 e R$ 120,00. No entanto, as duas clínicas reservam 50% das vagas para adolescentes e jovens carentes.
Nos centros e clínicas filantrópicas é difícil conseguir vagas. Nossa única exigência é que a pessoa venha de forma espontânea e sem pressão da família, diz a coordenadora do Ancoradouro.
O sistema público não tem nenhum centro especializado para recuperaração de drogados em Foz do Iguaçu. Porém, graças à dedicação do psquiatra José Elias Aiex Neto, o Centro Regional de Especialidades (CRE) montou um grupo de terapia com 50 viciados. Em casos mais graves, o médico os envia para o Ancoradouro, onde ele presta assistência médica gratuita.
A droga funciona como muleta para a maioria dos viciados. O mais grave é que aumentou o número de usuários do crack (droga de pobre), bem mais perigosa e mais prejudicial. Rico usa cocaína, afirma Aiex.
SERVIÇO
Programa Ancoradouro: Rua Antônio Raposo, 225 - centro, telefone (045) 574-1821, atendimento das 8 às 18 horas. Tratamento gratuito.
Associação Maranata: Alameda vassouras, s/n - Jardim Santa Rosa, telefone (045) 524-4622. Tratamento gratuito.
Associação Jovens Livres: Rua Célia Rodrigues, 905 - Bairro Porto Belo, telefone (045) 524-1847. Mesalidade R$ 70,00.
Projeto Vida: Rua Bela Vista s/n - Bairro Porto Belo, telefone (045) 524-4016 ou 975-1099 (celular). Mensalidade R$ 120,00.


