O climatério é o período de transição da idade fértil para a fase não-reprodutiva, com diminuição dos hormônios sexuais. Além das alterações de humor e dos tão propalados calores, a mulher climatérica pode sofrer de osteoporose e atrofia vaginal, entre outros males. Para quem não pode - ou não deseja - receber reposição hormonal, há hoje várias alternativas, de práticas orientais milenares a mudanças no estilo de vida. A atividade sexual e a masturbação, por exemplo, são prescrições contra a atrofia vaginal.
No final da década de 90, a terapia de reposição hormonal surgiu com a promessa da eterna juventude feminina. O entusiasmo inicial cedeu lugar à desconfiança assim que vieram à tona efeitos adversos do tratamento, como sua relação com o câncer de mama. Pesquisas recentes comprovaram, enfim, que, se corretamente prescrita e administrada, a terapia hormonal é um recurso seguro e eficaz no climatério. Mas os pressupostos de perigo já haviam se estabelecido.
''Mesmo que o médico considere a terapia hormonal o melhor tratamento, terá de respeitar a eventual opção da paciente por não fazê-lo'', disse o ginecologista Vicente Bagnoli, professor da Universidade de São Paulo (USP) e um dos autores do livro ''Climatério - Terapêutica Não-Hormonal'' (Roca, 418 págs.). Ele conversou com a reportagem durante o 4º Congresso Paulista de Medicina Reprodutiva e Climatério, realizado pela Sociedade Paulista de Medina Reprodutiva, a bordo do navio Costa Romântica, entre Santos e Búzios. ''Importante é saber, entre tantos tratamentos alternativos disponíveis, o que está ou não comprovado.''
Fitormônios, acupuntura, antidepressivos e calmantes comporiam uma espécie de coquetel não-hormonal para o climatério. Mas a qualidade de vida tem também peso importante, com destaque para alimentação balanceada, atividade esportiva e vida sexual ativa. ''Estudos mostram que histórico sexual da mulher é mais determinante do que as alterações hormonais do climatério para evitar a atrofia vaginal'', explicou a psiquiatra Carmita Abdo, co-autora do livro e coordenadora do ProSex (USP), também presente ao evento. ''A frequência sexual e a masturbação são fatores de proteção da sexualidade feminina.''

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