Londrina - ''É tudo mentira. Eu não matei a Amanda.'' Esta foi a primeira frase dita por Dayane de Azevedo, no julgamento em que ela era acusada de ter participado do assassinato da estudante Amanda Rossi, em 27 de outubro de 2007. Após quase 12 horas, período em que diversas testemunhas prestaram depoimento e foram contestadas pela juíza, promotoria ou advogados, foi a vez de Dayane falar, já na noite de ontem. Ela negou qualquer participação no crime e disse que foi obrigada a assumir a autoria.
Estudantes, advogados, amigos da família e curiosos lotaram o Tribunal do Júri de Londrina durante todo o dia de ontem para acompanhar o julgamento de Alan Aparecido Henrique e Dayane de Azevedo, dois dos três acusados pela morte da estudante Amanda Rossi, cujo corpo foi encontrado na casa de máquinas da piscina da Universidade Norte do Paraná (Unopar) do Jardim Piza (Zona Sul de Londrina).
O julgamento começou às 9 horas e não havia terminado até o fechamento da edição. A previsão da juíza Elisabeth Kather, da 1 Vara Criminal, que presidiu a sessão, era que o veredicto saísse durante a madrugada de hoje. Sete homens integraram o júri. O clima ficou quente entre a juíza e a ré durante o depoimento de Dayane. ''Os policiais falaram que matariam a minha família se eu não assumisse. Fiquei dois anos e nove meses presa sendo inocente'', declarou a jovem, que já havia sido retirada do Tribunal a mando da magistrada, pela manhã.
A acusação ficou por conta da promotora de Justiça, Suzana Feitosa de Lacerda, e do promotor Marcelo Briso Machado. Em um primeiro momento, foi apresentado um resumo da ação acerca da morte da universitária. Os laudos do Instituto Médico Legal (IML) apontaram que a morte foi causada por asfixia em razão de esganadura
O primeiro depoimento foi do pai da vítima, Luiz Carlos Rossi. Ele contou qual foi a rotina da família no dia do crime, que aconteceu durante uma festa que estava sendo realizada na instituição de ensino. ''A Amanda passou o dia envolvida na organização do evento. Naquele dia ela iria dormir fora de casa. Nós começamos a ficar preocupados quando uma colega ligou por volta da meia-noite e meia dizendo que ela estava desaparecida. A gente ligava no celular dela, mas ninguém atendia'', relatou.
Duas amigas de Amanda também prestaram depoimento. Foi apresentado um vídeo com a reconstituição do crime. Nas imagens Dayane chora e tem dificuldades para entrar na casa de máquinas. Ela apontou o local e o modo como a vítima caiu após o crime.
Outro vídeo apresentado foi o da ex-professora da instituição Denise Madureira. Ela afirmou que esteve na festa da universidade e combinou com Amanda e Juliana de irem à casa de Aline após a festa para comemorar o aniversário de Juliana. ''Após o desaparecimento da Amanda, a Aline e a Juliana passaram na minha casa'', disse. Ela afirmou que as meninas telefonaram para a família de Amanda em busca de informações sobre o paradeiro dela. ''Fomos para a casa da Aline e ficamos lá esperando alguma informação. Acabei dormindo lá, a Juliana também'', disse Denise.
Ela disse que não sabia da existência da casa de máquinas da Unopar e que considerava normal seu relacionamento com as alunas. ''Tinha um bom relacionamento com os alunos. Eu não costumava frequentar muitas festas, mas fazíamos reuniões na casa de alguns e íamos para barzinhos'', acrescentou a professora.

mockup