Londrina - A tensão pelo risco de uma rebelião alimenta ainda mais o clima nada amistoso entre os agentes e familiares dos presos. Segundo os agentes, os visitantes esperam que os presos recebam "tratamento de hotel" dentro da cadeia. "Se eles estão aqui é para cumprir um pena. Não há maus-tratos, há uma disciplina que precisa ser seguida", defende. Há oito anos na profissão, o agente pondera ao dizer que não são todos os presos que dão problemas. "Metade não deveria nem estar aqui, mas são pobres e acabam ficando. A outra não deveria sair nunca. Acreditar em ressocialização em casos como os deles é utópico", avalia.
Na espera pela visita, as mulheres esperam em uma lanchonete ao lado da prisão. Lá, elas aproveitam para dar o último retoque na maquiagem auxiliadas por pequenos espelhos de mão. As reclamações de abusos por parte dos agentes são constantes. O silêncio dos parentes presos preocupa. "Eles nunca falam nada pra gente sobre uma possível rebelião, acho que pra não nos preocupar, né?", diz a mulher de um dos presos. "A gente fica muito preocupada com tudo o que está acontecendo. A sensação que fica é que a próxima vai ser aqui", completa uma amiga.
Maria (nome fictício), tem 56 anos. Os últimos seis de angústias. Em 2008, teve um filho assassinado e outro preso condenado por homicídio. Durante este período, ela se reveza nas visitas entre a penitenciária e o cemitério. "Aqui eu ainda posso ver meu filho. Lá (cemitério), só vejo um túmulo", lamenta. A ligação da família de Maria com a PEL 2, no entanto, começou muito tempo antes. O marido foi um dos pedreiros que ergueram as paredes do presídio. "Os meninos brincaram aqui quando eram crianças. Quis o destino que um deles retornasse pra cá".
Ela denuncia excessos por parte de alguns agentes. "Tem coisa que não precisa, humilhar a família, por exemplo. Para verificar se não há nada escondido, eles cortam a banana com a mesma faca que cortam o sabão. São coisas que revoltam". Segundo ela, quando os abusos chegam aos ouvidos dos presos, a insatisfação aumenta. "Não defendo rebeliões ou violência, mas é preciso fiscalizar a conduta desses agentes que abusam do poder que têm. Se eles agem em desacordo do que prevê a lei, o que os diferencia de quem está atrás das grades?". (C.F.)

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