Foz do Iguaçu O governo do presidente Luíz Macchi enfrentou ontem de manhã mais uma onda de protestos nas ruas de Ciudad del Este, na fronteira com Foz do Iguaçu. Cerca de 300 manifestantes paraguaios protestam há dois dias contra a falta de empregos, moradias e terras para a reforma agrária. Três ministros chegaram à tarde para tentar administrar a crise. Só no início da noite, manifestantes e representantes do governo chegaram a um acordo.
Participaram das negociações os ministros da Justiça, Silvio Ferreira, da Saúde, Martin Chiola e do Interior, Júlio Fanego. Os ministros se comprometeram a mediar um encontro entre sindicalistas e o presidente Luíz Macchi para tentar negociar o fim da greve de 45 dias de um grupo de motoristas desempregados de Ciudad del Este. Eles trabalhavam para uma empresa que prestava serviço para a Itaipu, do lado paraguaio.
Também ficou definido que, na semana que vem, o governador do Alto Paraná, Jotvino Urunaga, vai sentar-se com os manifestantes para discutir uma política de geração de empregos para a fronteira. Os ministros se comprometeram ainda a tentar encontrar uma forma de reconduzir os funcionários públicos demitidos da Prefeitura de Ciudad del Este ao trabalho. Nos últimos cinco anos, cerca de mil servidores públicos perderam o emprego na cidade vizinha.
A situação é tensa em Ciudad del Este por causa do crescimento dos índices de desemprego na cidade. O problema se agravou com a queda acentuada no movimento de sacoleiros na fronteira. A recessão provocou demissões em massa no comércio paraguaio. Excluídos do mercado de trabalho, paraguaios desempregados iniciaram no ano passado uma campanha, liderada por sindicatos de classe, para ocupar os postos de trabalho dos brasileiros.
Ainda hoje, cerca de cinco mil brasileiros trabalham no centro comercial da cidade vizinha. Antes do agravamento da crise, esse número foi bem maior. Segundo o Centro de Importadores e Comerciantes do Departamento do Alto Paraná (Cicap), no auge do turismo de compras (1985-1995), a antiga meca dos sacoleiros chegou a empregar 12 mil brasileiros.

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