Clima é tenso na Fazenda Urupá, em RO; sem-terra e seguranças trocam tiros
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quarta-feira, 13 de outubro de 1999
Por Eugênio Melloni 
São Paulo, 14 (AE) - O clima voltou a ficar tenso na Fazenda Urupá, área de 6 mil hectares em Mirante da Serra, em Rondônia, que nos últimos dois anos transformou-se em um dos principais focos do conflito fundiário da Região Norte do País. Desde o dia 1.º agricultores ligados ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) e empregados da fazenda trocaram tiros em duas tentativas de ocupação, sem feridos.
Na terceira tentativa, no dia 3, cerca de 250 famílias ocuparam um canto da área - que havia sido desocupada em abril deste ano, após longas negociações que envolveram o governo do Estado e o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
Ricardo Borges de Castro Cunha, que administra a fazenda de sua família, culpa o governo de Rondônia e o Incra pela reocupação, pois não teriam cumprido um acordo, fechado em abril com os sem-terra, que resultou na desocupação. De acordo com o fazendeiro, Incra e o governo estadual não teriam construído uma estrada que daria acesso ao local em que as famílias seriam assentadas, no município de Espigão dOeste. "Novamente quem pagou o pato fui eu", disse Cunha.
O superintendente do Incra em Rondônia, Antônio Renato Rodrigues, negou a quebra do acordo. "O prazo para que construíssemos a estrada vai até novembro", explicou. "Os sem-terra querem a Fazenda Urupá porque já têm projetos de assentamento vizinhos à area." Procurado pela reportagem, o comando da Polícia Militar em Rondônia não respondeu às ligações feitas.
Cunha confirma o tiroteio na primeira tentativa de ocupação da fazenda, mas ressalta que seus empregados apenas reagiram à investida dos sem-terra em uma área próxima da sede. O cordenador estadual do MST em Rondônia, Luís Roberto de Oliveira, nega que os tiros tenham partido primeiro dos sem-terra.
Trata-se da terceira ocupação da Fazenda Urupá em dois anos. Desanimado com os prejuízos, Cunha anunciou que pretende vender a propriedade ao Incra. Segundo o superintendente do Incra, as vistorias para avaliação começam na segunda-feira. "A notícia da venda da área reduziu um pouco a tensão", disse Rodrigues.
Cunha ressalta, entretanto, que somente venderá a área "por um preço justo". "Na outra invasão, o Incra avaliou a propriedade em um valor abaixo do mercado", disse o fazendeiro. "Na época, o preço das terras estava em queda e já houve uma alta", diz Rodrigues.
A disputa pela propriedade, dedicada à criação de gado nelore de elite, já esteve próxima do conflito em várias ocasiões. A PM do Estado, na tentativa de evitar um confronto como o que resultou na morte de vários sem-terra, em Corumbiara, relutou em cumprir mandado de reintegração de posse.


