Recife, 17 (AE) - Em clima tenso, cerca de 2 mil trabalhadores rurais sem-terra lembraram hoje o massacre de 19 agricultores, em Eldorado dos Carajás, no sul do Pará, ocorrido há três anos. A manifestação dos trabalhosdores se concentrou na destilaria Liberdade, em Escada (zona da mata pernambucana), que foi invadida há uma semana pelo MST. Uma missa campal foi celebrada pela manhã, por representantes das igrejas católica e anglicana.
Para reverenciar os sem-terra mortos, o coordenador geral do movimento em pernambucano, Jaime Amorim, fez referência à Bíblia, em seu discurso, durante a celebração. "O sangue dos trabalhadores serve de semente para nascer outras dezenas e centenas de lutadores do povo", declarou. "A ameaça de violência não deve nos intimidar. Vamos resistir", disse Amorim em tom de ordem, ao referir-se ao mandado de reintegração de posse expedido pelo juiz da comarca de Escada, que determoinou a imediata saída dos sem-terra do pátio da usina.
Os trabalhadores, desde a noite de sexta-feira, se negaram a receber um mandado de reintegração de posse expedido pela Justiça. Hoje pela manhã dois oficiais de Justiça e o comandante do 10º Batalhão da Polícia Militar, Reginaldo Oliveira, retornaram ao local para cumprir a determinação da Justiça, mas foram impedidos. Os agricultores passaram a noite em vigília e bloquearam a principal estrada de acesso à usina. Com foices, cassetetes e pedaços de paus, cerca de 800 sem-terra impediram qualquer iniciativa da polícia.
Segundo o segurança da usina José Justino, a situação é de apreensão e medo. Ele se sente ameaçado pelos sem-terra. "Eles estão nervosos e temo que partam para a violência. Dizem que não vão deixar a usina", declarou o segurança. O líder do MST, Jaime Amorim, informou que a determinaçao é de não sair do local. Ele não quis revelar qual a forma de resistência que será utilizada pelos integrantes do MST. Vamos permanecer no local".
Segundo Amorim, cerca de mil trabalhadores deverão ficar no acampamento. Os outros militantes, em torno de 1.200, vão seguir marcha até Recife, a partir de amanhã, onde está prevista para terça-feira próxima uma manifestação chamada pelos organizadores de "Dia de Mobilização Nacional em Defesa do Brasil", com participação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Sindicatos, Comissão Pastoral da Terra (CPT) e outros movimentos sociais.

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