Clima de insegurança permanece após quatro meses da chacina
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domingo, 05 de junho de 2016
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Mais de quatro meses depois da chacina do final de janeiro, que terminou com 12 pessoas mortas em Londrina, o clima ainda é de muita tensão, principalmente nas periferias da cidade. Segundo pessoas ouvidas pela reportagem da FOLHA, a sensação de insegurança permanece diante do medo dos enfrentamentos. Casos de ameaças e troca de mensagens pela internet com conteúdo de ódio mostram que as feridas estão longe de cicatrizar.
A situação se agravou após a prisão de oito policiais, no dia 13 do mês passado. Segundo as investigações da Secretaria Estadual Segurança Pública e Administração Penitenciária (Sesp), seis deles, que continuam presos, tiveram envolvimento direto nas 12 mortes ocorridas logo após o assassinato do soldado Cristiano Botino, além de outras cinco ocorridas nos dias seguintes à chacina, em um total de 17 vítimas.
As prisões foram repudiadas por muitos policiais e por associações de classe, que acusam a Sesp de não respeitar a presunção de inocência, o direito à ampla defesa e ao contraditório, denotando intenções voltadas à repercussão midiática. Em nota de repúdio divulgada no site, a Associação dos Oficiais Policiais e Bombeiros Militares do Estado do Paraná (Assofepar) conclama os militares para "que não sejam complacentes com encenações teatrais, montadas para projetar pessoas e instituições, maculando a imagem da corporação e de seus integrantes".
Pelas redes sociais e em grupos de WhatsApp, é perceptível a revolta de policiais que definem as prisões como "inversão de valores". Em alguns casos, as postagens extrapolam os limites da legalidade. Em postagem no Facebook, no último dia 17, um policial publicou a foto de um sobrevivente da chacina, apontado por ele como responsável por ataques a ônibus e envolvimento em facção criminosa. Nos comentários, outra pessoa postou a ilustração de uma caveira armada contendo a seguinte frase: "Não se vai no velório do amigo sem antes promover o velório do inimigo".
O apoio aos policiais presos também ficou claro em um protesto organizado pelos familiares e que reuniu militares de vários grupos da PM. Durante a coletiva de imprensa em Londrina, logo após a prisão dos policiais, tanto o secretário de Segurança Pública, Wagner Mesquita, quanto o comandante-geral da Polícia Militar, coronel Maurício Tortato, transpareceram preocupação com a reação da tropa e frisaram repetidas vezes que a ação tinha como objetivo preservar o bom policial. "Nós não temos o menor prazer em prender policiais, cada prisão de um policial gera uma cicatriz, no entanto, havendo um confronto legítimo, eles vão ter todo o respaldo da Segurança Pública. Não é um dia de alegria, mas de reafirmar a autoridade, do império da lei e da própria autoridade policial", comentou Mesquita. "Peço sempre que os militares que estão agora presenciando toda essa situação se pautem pela atuação legítima, nos ditames da lei, da dignidade da pessoa humana e na promoção dos direitos humanos", completou Tortato.
DEFESA
O advogado dos militares presos, Cláudio Dalledone Júnior, argumentou que as investigações não apresentaram elementos minimamente suficientes para justificar as prisões. "O delegado responsável pelo inquérito criou um enredo fantasioso e não vai ter condições de sustentá-lo. Infelizmente, o crime organizado se fortalece em situações como essa, em que se prende quem está ao lado da sociedade", disse. Segundo ele, se o inquérito se transformar em ação penal, não haverá dificuldades para fazer com que os policiais sejam absolvidos. "Tudo isso é resultado de uma guerra de gangues, sem qualquer envolvimento dos militares em questão."


