Clima de incerteza deve marcar a próxima semana
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Angelo Pavini e Leandro Modé 
São Paulo, 14 (AE) - O impacto do pânico nas bolsas internacionais no mercado brasileiro deve estender-se pela próxima semana, não se limitando à queda de 4,55% de hoje, disseram analistas do mercado. A expectativa é de que investidores se desfaçam de papéis brasileiros, por serem mais líquidos, enquanto os investidores locais, assustados com as fortes e insistentes quedas das últimas semanas, devem evitar o mercado ou até vender seus papéis.
"Já passo a acreditar em 13 mil pontos como fundo do poço para a Bovespa", disse William Eid, professor da Fundação Getúlio Vargas de São Paulo e especialista em mercados internacionais. Na sexta-feira, a Bovespa fechou em 14.794 pontos.
Eid lembra que, no início do ano, houve migração significativa de fundos de renda fixa locais para ações, o que compensou a saída dos estrangeiros. Agora, os estrangeiros vão vender mais Brasil, pois é mercado mais líquido. E o investidor estrangeiro, que entrou há pouco em renda variável, depois da forte queda do mercado, da instabilidade externa, vai fugir de novo das ações.
O economista acredita que a turbulência não complica tanto a situação brasileira por causa de seus bons fundamentos econômicos, como inflação controlada e superávit fiscal. "A Bolsa do Brasil não é um bom termômetro", disse ele. Mas uma provável redução dos juros internos deverá ficar para segundo plano, disse Eid .
"Isso confirma minha expectativa de que o Copom não mexe nos juros na próxima reunião", afirmou. Havia expectativa do mercado, mas com essa continuidade na turbulência não haverá espaço."
Para o estrategista-chefe do Deutsche Bank para a América Latina, Renato Grandmont, as turbulências recentes na Bovespa vão continuar porque a América Latina não é imune às quedas fortes nas bolsas norte-americanas, como já vinha ocorrendo com a Nasdaq. Daqui para a frente, ele não acredita em mudanças nesse panorama. "O comportamento do mercado brasileiro continuará sendo ditado pelo que acontecer nos Estados Unidos."
Para Grandmont, dois tipos de movimentos têm causado as quedas recentes da Bovespa. O primeiro é composto pelos investidores que já ganharam em bolsa e estão tirando seu dinheiro para realizar lucros com medo de que a Bovespa caia ainda mais. O segundo é que os investidores estão antevendo os problemas causados pelas crises nas bolsas norte-americanas.
O economista Christian Vecchi, da Tendências Consultoria Integrada, entende que a volatilidade permanecerá na bolsa paulista. Não apenas por conta dos Estados Unidos, mas também pela expectativa em torno da decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) na ação que trata do expurgo da inflação na correção do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS).
Assim como Eid, Vecchi prevê dificuldades para que o Copom reduza o juro em sua próxima reunião, quarta-feira. "O prêmio de risco dos países emergentes aumenta quando há crises internacionais", explica.


