Quito, 10 (AE-REUTERS) - Milhares de policiais militares atiraram hoje (10) bombas de gás lacrimogêneo para dispersar centenas de trabalhadores que protestavam contra o presidente equatoriano, Jamil Mahuad, nas ruas de Quito. O governo, que já havia decretado feriado bancário de segunda-feira até amanhã (11), decretou também "estado de emergência" para evitar o agravamento dos conflitos de rua.
Em todas as cidades costeiras do país, na selva amazônica e nas montanhas, soldados foram instruídos a tomar as estradas e as pontes para conter os manifestantes. Apesar do deslocamento de 3 mil soldados e 12 mil policiais em todo o país, algumas rodovias foram fechadas pelas populações indígenas que aderiram à greve convocada por entidades de esquerda e sindicatos de trabalhadores.
Os transportes públicos estão paralisados e a polícia foi convocada para vigiar as instalações das empresas petrolíferas para assegurar a manutenção dos serviços essenciais.
Nos principais centros urbanos do país, o clima era de confronto, com pelo menos um ferido e 22 prisões, enquanto as demais cidades do país viviam um dia de verdadeiro feriado, já que também os bancos estão fechados desde a segunda-feira.
Os protestos foram organizados em resposta à depreciação dos salários e ao aumento de preços dos combustíveis, das tarifas de eletricidade e à cobrança de novos impostos, além dos cortes nos gastos públicos. Por medida de precaução, os trabahadores reduziram a produção da refinaria Esmeraldas, a maior do país, em 25% e suspenderam as entregas de combustíveis.
Em meio à greve geral, prosseguiu hoje o debate sobre a dolarização da economia equatoriana e a conversão da moeda local, o sucre, ao dólar, a exemplo do que fez a Argentina. Para o ex-diretor do Banco Central e banqueiro Abelardo Pachano, "a conversibilidade indica a incapacidade de um país autogovernar-se e tem um custo social muito mais alto que qualquer outra iniciativa.
A falta de reservas em moeda estrangeira e o crônico déficit fiscal também são considerados pelos economistas como obstáculos ao êxito de um eventual programa de conversibilidade. Entre janeiro e fevereiro, o sucre desvalorizou-se 37% em relação ao dólar, aprofundando a queda de 54,13% verificada no ano passado. A própria ministra das Finanças, Ana Maria Armijos, admitiu hoje que "adotar o sistema de conversibilidade sem ter saneado as contas fiscais e o sistema financeiro não seria conveniente".

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