Clima ajuda e evita rodízio estadual em SP
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terça-feira, 15 de junho de 1999
Por Rogerio Wassermann 
São Paulo, 16 (AE) - Graças a uma "ajudazinha de São Pedro", a região da Grande São Paulo não teve nenhum episódio crítico de poluição nos últimos 40 dias, apesar da suspensão do rodízio estadual de veículos, que deveria ser adotado a partir de maio. Nesse período, por causa da incidência de ventos e chuvas, a qualidade do ar nas 22 estações medidoras da Companhia Estadual de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb) espalhadas pela Grande São Paulo foi classificada como boa durante 56,5% do tempo. No restante do período, foi classificada como regular.
Os meses de maio a setembro são normalmente os que apresentam as piores condições meteorológicas para dispersão de poluentes na região metropolitana de São Paulo. Por isso, o rodízio estadual foi adotado no período desde 1996 até o ano passado.
Tecnologia - A Secretaria de Estado de Meio Ambiente resolveu este ano adotar a restrição à circulação de veículos apenas quando ocorrerem episódios críticos. "O enfoque é diferente, porque o rodízio era preventivo e agora é corretivo"
argumenta o secretário de Meio Ambiente, Ricardo Tripoli. O principal argumento para a não-adoção da medida, que impediria a circulação de 20% da frota em nove municípios da região pelo período das 7 horas às 20 horas, é de ordem tecnológica. O avanço dos motores, que emitem menos poluentes, faz com que o aumento da frota não provoque necessariamente um aumento na poluição.
"Um carro fabricado em 1980 emite tanta poluição quanto 28 carros novos", justifica o gerente de Qualidade Ambiental da Cetesb, Cláudio Alonso. Segundo ele, nos últimos dois anos, apesar do aumento na frota circulante, a emissão de monóxido de carbono foi reduzida em 210 toneladas diárias. Para garantir a qualidade do ar, a secretaria comprometeu-se a fiscalizar também a qualidade dos combustíveis vendidos no Estado e a intensificar a Operação Caça-Fumaça, para controlar a emissão de fumaça preta pelos veículos a diesel).
Restrições - Segundo o secretário, o rodízio estadual não deverá ser adotado em julho, quando será suspenso o municipal, que vigora apenas nos horários de pico e na região do centro expandido da capital. Ainda assim, segundo Tripoli, as restrições à circulação de veículos poderão ser adotadas caso os índices de poluição ultrapassem os padrões de qualidade aceitáveis. O medida será adotada ainda se as previsões meteorológicas não forem favoráveis à dispersão de poluentes num período de 48 horas. "Estamos atentos às previsões meteorológicas para, em caso de necessidade, deflagrar o processo (de restrição à circulação de veículos) em 48 horas", disse o secretário.


