Clientes lesados por agência de turismo protestam
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terça-feira, 29 de dezembro de 2015
Mariana Franco Ramos<br> Reportagem Local 
Curitiba - Passagens internacionais emitidas, com assentos marcados, e não validadas pela companhia aérea, reservas falsas em hotéis, cobranças em duplicidade nos cartões de crédito, ainda não estornadas, e até uso indevido de CPF. Quando os clientes da Interlaken - agência de turismo que fechou suas portas no último sábado - se reuniram na manhã de ontem, em Curitiba, perceberam que os danos causados eram maiores do que os estimados. Cerca de 70 pessoas participaram do protesto em frente à sede principal da operadora, localizada no bairro Ahú. Nenhum representante da empresa apareceu no local. Uma viatura da Polícia Militar (PM) acompanhou, de longe, a movimentação pacífica.
Os turistas já haviam criado três grupos de WhatsApp para discutir a situação um com 100 e os outros dois com aproximadamente 80 integrantes cada. A advogada Mariana Bogus, que também comprou um pacote com a Interlaken, para os Estados Unidos, acredita que o prejuízo calculado ultrapassa R$ 500 mil. Como nem todos os usuários foram contatados ou levantaram seus gastos, contudo, há quem estime o calote em mais de R$ 2 milhões. Os manifestantes combinaram de registrar as ocorrências na Delegacia de Estelionato e na de Crimes Contra a Economia e Proteção ao Consumidor. Também pretendem acionar o Ministério Público, para ajuizar uma ação civil pública. A ideia é que as medidas sejam tomadas em conjunto e de forma organizada.
Uma das clientes, que prefere se identificar apenas como Fernanda, disse que recebeu uma indicação de amigos e que, antes de efetuar a reserva, não encontrou nada negativo sobre a operadora. Ela embarcaria no dia 26 com os pais para Orlando, onde planejavam passar o Réveillon. "Estávamos com as malas prontas, saindo para deixar os cachorros, e recebemos uma mensagem da Marselle (Benzi, uma das sócias) informando o cancelamento. Foi um choque", conta. A mesma usuária comprou um pacote para maio, uma vez que possui um casamento nas proximidades da Disney. Só decidiu ir duas vezes porque tem onde ficar e considerou o preço atrativo. Caso a devolução não ocorra, o golpe chegará a R$ 10 mil, só em passagens.
A operadora, que funcionava ainda em dois shoppings de Curitiba, vendeu pacotes até 24 de dezembro, anunciando falência um dia depois. O empresário Guilherme Carrano iria para um casamento na Praia do Forte, na Bahia, em abril, com mais 13 amigos. "Todos estão com o mesmo problema. Compramos em 15 de setembro, pagamos 70% da viagem e o diretor comercial (Augusto Benzi) falou que não teria como arcar com nada". Ele conta que o grupo desembolsou R$ 60 mil, entre aéreo, hotel e translado, e que não tem esperanças de receber o dinheiro de volta.
Frustração parecida enfrenta a aposentada Edna Molinetti, que embarcaria em março num cruzeiro pelo Caribe, com o marido, o pai e a filha. "A entrada e a primeira prestação já foram pagas e o resto havíamos parcelado. São quase R$ 10 mil. Mandamos um e-mail para a Interlaken e até agora nada". A empresária Adriana Baraldi, por sua vez, planejava viajar em abril com o marido para os EUA e o Canadá. As parcelas já quitadas somam R$ 1,5 mil, no entanto, ela fez algumas reservas pelo Booking, que totalizam R$ 1,7 mil.
A FOLHA procurou a agência, entretanto, o telefone só dava ocupado. A sócia Marselle Benzi pediu que a reportagem contatasse o advogado da operadora, mas a ligação caiu na caixa postal. O site da empresa foi retirado do ar. Já no Facebook a última mensagem postada é a de 26 de dezembro, relativa ao fechamento.


