Rio, 17 (AE) - Clientes do Banco do Brasil (BB) - a maioria idosos - aglomeraram-se hoje em frente da agência no centro do Rio em busca de informações sobre os bens depositados. O banco foi assaltado ontem (16) e a Delegacia de Roubos e Furtos (DRF) fez o retrato-falado de cinco dos 12 criminosos. Desses, dois foram identificados, mas os nomes estão sendo mantidos em sigilo. Segundo o delegado, um deles atuou num assalto semelhante que ocorreu no prédio da Sul América Seguros, há um ano.
Indignados, alguns desesperados, os clientes quiseram saber sobre os pertences - jóias e dólares. "Eles roubaram o dinheiro dos trabalhadores porque o dos ricos está lá fora", gritava a jornalista Auristela Gutman, de 45 anos, que há dois mantinha um cofre no banco, onde guardava as jóias da família. "Graças a Deus, nada foi levado", disse ela, uma hora depois.
A mesma sorte não teve o aposentado Paulo do Vale, de 75 anos, que teve todos os objetos de valor furtados - a maioria, jóias e relógios. "Eu tirei o que tinha no Banco Mercantil e coloquei no Banco do Brasil por pensar que aqui seria mais seguro", contou ele, que pagava, desde 1992, 160 reais por semestre como taxa de ocupação do cofre.
O filho de Vale, que não se identificou, agrediu jornalistas. "Fomos roubados, fomos roubados e ninguém fez nada", dizia, aos berros, pela rua.
"A mecânica do roubo é igual, não descartamos que seja a mesma quadrilha", disse o delegado Márcio Franco, da DRF, que
amanhã (18), pretende ouvir todos os clientes lesados para levantar o montante roubado.
A ousadia da quadrilha e as falhas na segurança chamaram a atenção da polícia. Os bandidos entraram na agência por volta das 8 horas de ontem, renderam 30 funcionários e, com a ajuda de maçaricos e pés-de-cabra, arrombaram 156 dos 2.199 cofres de aluguel do banco. Desses 156, 30 estavam vazios. Toda a operação durou sete horas. Ninguém ficou ferido. "Foi uma ação organizada, com muita informação interna do banco e com grande facilidade da segurança", afirmou o delegado. Franco apontou duas graves falhas no monitoramento de vídeo da agência e uma terceira no sistema de alarme. Segundo ele, os ladrões tiveram livre acesso à sala de controle da segurança, no 24º andar, onde estão monitores que controlam as imagens das cerca de 160 câmeras do prédio. "A porta estava aberta e as fitas com as imagens gravadas estavam à vista dos ladrões", explicou.
O delegado também estranhou a ausência de seguranças na sala de controle na hora em que os ladrões entraram no prédio. "Se houvesse algum vigilante lá, ele certamente teria tempo suficiente para avisar à polícia, já que a ação estava acontecendo no primeiro andar e ele estava no 24ª andar", avaliou. Franco também apontou outra falha no sistema de alarme, que, apesar de ter tocado três vezes em São Paulo, onde funciona a empresa Shecron, que o controla, não levantou suspeitas.
Todos os três telefonemas dados pela empresa em São Paulo foram atendidos pelo supervisor de segurança Alexander Machado Campos, que era obrigado pelos bandidos a dizer que estava tudo bem. "Parece incrível, mas eles sequer tinham um código, uma senha, para chamar a atenção do pessoal em São Paulo", disse o delegado, que defendeu uma parceria entre a polícia e as instituições financeiras nesse campo.
"Parece incrível, mas, na semana passada, o secretário de Segurança do Estado (Josias Quintal) teve uma reunião para discutir esse assunto com representantes dos bancos", contou.
A direção do banco manteve, durante todo o dia, uma unidade de terapia intensiva (UTI) móvel na porta da agência, para atender aos clientes lesados, caso houvess necessidade. Em nota oficial, o BB disse estar trabalhando em estreita articulação com a Secretaria Estadual de Segurança Pública do Rio, "com vistas a elucidar, o mais rapidamente possível, o ocorrido". "Desde ontem à noite, o Banco do Brasil está dando atenção especial ao clientes e locatários de cofres de aluguel, (...) cujo atendimento está sendo feito caso a caso", afirma a nota.

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