Numa tarde quente de domingo, entre uma roda de samba, homens jogando truco, cavaleiros e amazonas se reidratando após uma cavalgada, e famílias em geral, é quase impossível não notar a presença de Ana Maria Aromatario, de 58 anos. Distribuindo sorrisos e cumprimentos, ela veste uma camisa, que lembra a usada por jogadores de futebol, mas com um emblema que não é de nenhum clube, mas da Venda dos Pretos.

Professora universitária aposentada, Ana Maria se mudou para o Patrimônio Espírito Santo em busca de tranquilidade e de uma rotina mais próxima da natureza. "Mudei em 2009 e desde então a Venda é o meu bar. O mais legal dele são as pessoas. O lugar é muito agradável, nunca teve problemas de bêbado ou agressão. Eu posso ir com meu marido ou sozinha sem o menor problema", salienta.

Um dos mais antigos clientes, Natal Zanelato, 76, tem na Venda uma segunda casa. Sempre no estabelecimento para encontrar os amigos e jogar truco, ele se orgulha de ter conhecido todas as gerações que cuidaram do comércio. "A Venda representa um amor. É um lugar de convivência e que sempre estive".

Presente na Venda dos Pretos quando tem uma brecha na agenda, o médico Flávio Zanoni, 62, descobriu o lugar há 20 anos, quando pedalava pela região. Ao lado de uma parede repleta de fotos, ele guarda um dos retratos de forma especial. "Um dia eu comprei uma bicicleta nova, em 2004, e pedi para a dona Izolina tirar uma foto. Revelei e dei para ela colocar na Venda. A partir disso, a batizei de Izolina e até hoje está guardada. Essa eu não vendo", garante. (P.M.)

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