Jacarta, 12 (AE-REUTERS) - Abdullah Soulissa, um conhecido clérigo islâmico da ilha indonésia de Ambon, afirmou hoje (12) que a violência em sua região constitui uma limpeza étnica de muçulmanos - uma denúncia veementemente negada por líderes católicos.
Soulissa, que é chefe da Fundação Mesquita Al-Fatah de Ambon, afirmou também que a quantidade de mortos conhecida é totalmente imprecisa e que o número de assassinatos já está na casa dos milhares.
"Milhares já morreram, não centenas", afirmou Soulissa, sem divulgar o número exato. Segundo ele, "serão necessárias duas gerações para cicatrizar as feridas abertas em apenas dois meses de conflitos" entre cristãos e muçulmanos.
"Trata-se de uma limpeza étnica. Parece que os muçulmanos estão sendo forçados a abandonar o lugar", disse ele durante uma entrevista coletiva organizada em Jacarta pelo Partido Lua e Estrela, um grupo político muçulmano.
Soulissa estava falando enquanto a região aparentemente retornava à normalidade de recentes conflitos, que deixaram 10 mortos ontem durante um choque entre milhares de pessoas na cidade de Ambon, capital da ilha.
As denúncias do religioso muçulmano foram interpretadas pela Comunhão das Igrejas da Indonésia (PGI) como uma tentativa de aumentar o ódio religioso em Ambon.
"Nós rejeitamos firmemente enquadrar os choques em Ambon como sendo uma limpeza étnica de um grupo religioso em particular", afirmou a PGI em um comunicado.
Para o PGI, depois que os conflitos começaram, em 19 de janeiro, "as pessoas não sabem mais porque estão matanto umas as outras".
De acordo com números oficiais e testemunhas, mais de 200 pessoas morreram em dois meses de conflitos. E, de acordo com Soulissa, mais de 50.000 muçulmanos já abandonaram a ilha.
A mesquita de Soulissa é uma das mais importantes da ilha de 400.000 habitantes. Os muçulmanos representam 40% da população local, enquanto que os cristão perfazem os outros 60%. A maioria dos muçulmanos de Ambon é formada por migrantes vindos de outras partes da Indonésia. Os conflitos em sua maioria são entre esses migrantes e os cristãos amboneses.

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