Sevilha, 27 (AE) - O Brasil já atingiu a melhor campanha na história dos Campeonatos Mundiais de atletismo, independente dos resultados do fim de semana, com a medalha de prata conquistada hoje, no Mundial de Sevilha, com o velocista Claudinei Quirino da Silva, nos 200 metros, com o tempo de 20s00, sua melhor marca pessoal. O norte-americano Maurice Greene, que esta semana havia ganho o título dos 100 m, foi também o campeão dos 200 m, com 19s90. O nigeriano Francis Obikwelu foi bronze (20s11).
Claudinei Quirino ganhou a terceira medalha de prata do Brasil na história dos mundiais, 24 horas depois da conquista de Sanderlei Parrela, nos 400 m - também ficou com a prata na prova em que o norte-americano Michael Johnson ganhou a medalha de ouro e bateu o recorde mundial da distância (43s18). Sanderlei confessou, hoje, que não dormiu, revendo a prova na memória.
Claudinei, que até os 15 anos foi criado em um orfanato, já tinha a medalha de bronze nos 200 m, conquistada no Mundial de Atenas (1997). "Minha medalha é para toda a América do Sul", disse Claudinei. "Está na hora de o atletismo sul-americano despertar, nos demos conta de que não somos inferiores a ninguém", acrescentou. "Corri como eu queria e precisava correr", afirmou, dizendo que há algum tempo vem conversando com o seu técnico, Jayme Neto, sobre suas possibilidades de correr os 200 m em 20 segundos ou até menos.
Disse que pensou em ganhar uma medalha e não no tempo. "Mas não tenho do que me queixar", acrescentou Claudinei que hoje vai correr na semifinal do revezamento 4x100 m, com Raphael de Oliveira, Edson Luciano e André Domingos. O Brasil também fará a semifinal do 4x400 m, com Cleverson de Oliveira, Anderson dos Santos, Eronildes Araújo e Sanderlei Parrela.
Maurice Geene, recordista mundial dos 100 m, é o primeiro velocista a conseguir a "dobradinha" de ouro nos 100 e 200 m. Nenhum atleta havia conseguido a façanha em um Mundial. O norte-americano Carl Lewis foi o único a vencer as duas distâncias na Olimpíada de Los Angeles, em 1984.
Na foto - Eronildes Nunes de Araújo, tricampeão pan-americano, não foi favorecido pela raia em que correu os 400 m com barreiras, a de número 8, e nem pela decisão da medalha de bronze pelo fotofinish. A chegada "embolada" levou a decisão do terceiro lugar para o sistema eletrônico de fotografia. Eron ficou em quarto lugar, com 48s13, exatamente o mesmo tempo do suíço Marcel Schelbert, que foi o terceiro. A prova foi vencida pelo italiano Fabrizio Mori (47s72). O francês Stephane Diagana ficou com a medalha de prata (48s12).
Outras medalhas de hoje: 200 m - Inger Miller, EUA, 21s77; 20 km marcha atlética - Liu Hongyu, China, 1h30min50s; 5.000 m - Gabriela Szabo, Romenia, 14min41s82 (recorde do torneio).
Maratona - O calor voltará a ser protagonista do Mundial de Atletismo amanhã, quando um exército de corredores espanhóis vai desafiar as temperaturas sufocantes de Sevilha para tentar confirmar o favoritismo na maratona - Abel Antón e Martín Fiz lideram a lista dos destaques da casa. Para amenizar os efeitos do calor a maratona será corrida à noite, a partir das 18h45 (13h45 de Brasília). As outras finais de amanhã são no salto em distância e 5.000 m, masculino; lançamento do dardo e 100 m com barreiras, feminino.

mockup