Cláudia afirma que justiça social será difícil com gastos excessivos
PUBLICAÇÃO
domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 01 (AE) - A secretária da Administração e do Patrimônio, Cláudia Costin, disse hoje que dificilmente haverá justiça social no País, se Estados e municípios continuarem gastando excessivamente com pessoal.
Segundo ela, Estados como Espírito Santo, Ceará, São Paulo e Bahia estão fazendo "excelentes" trabalhos de saneamento da máquina pública. Cláudia adiantou esperar que Minas Gerais e Rio Grande do Sul, com problemas para pagar as dívidas, "mudem suas posturas" e iniciem as negociações com o governo federal para adequarem os gastos à Lei Camata.
"Acredito que Minas Gerais e Rio Grande do Sul irão acordar e vão perceber a urgência de agir neste sentido", disse a secretária. A secretária acredita que a resistência de Minas Gerais e do Rio Grande do Sul em não trabalhar de forma conjunta com o governo federal seja uma decisão mais política do que técnica, uma vez que outros governadores do PT estão aceitando as sugestões da União, como o governador do Acre, Jorge Viana. "Os governadores do Acre e do Rio estão avançando muito bem", disse Cláudia. Ela acredita que o saneamento das contas venha a ser um fator de fortalecimento político dos governadores. Cláudia disse que o quadro político mostra claramente que muitos governadores que realizaram o enxugamento das contas públicas foram reeleitos.
Cláudia não acredita que o País tenha número excessivo de servidores públicos. União, Estados e municípios empregam atualmente 5,471 milhões de servidores. Segundo ela, o Brasil emprega um número de servidores proporcional ao de alguns países desenvolvidos e o problema de Estados e municípios é o de excessivo número de funcionários em funções "que não servem à sociedade" e da falta de servidores em funções vitais como médicos, fiscais e formuladores de políticas públicas. "Há uma injustiça social profunda; não dá para falar em justiça social enquanto Estados e municípios não mostrarem comprometimento", disse a secretária.
Na avaliação dela, as dificuldades de alguns Estados em pagar o que devem está diretamente relacionada à falta de saneamento nas contas públicas. Cláudia disse que o Espírito Santo, que vinha comprometendo 97% da receita líquida com o pagamento de servidores, conseguiu reduzir a folha apenas com uma auditoria, realizada pelos técnicos do governo local, a partir de orientação de uma missão da Secretaria de Administração. Somente com esta decisão, disse Cláudia, o Estado conseguiu economizar R$ 5 milhões, que representam mais de 5% da folha total de pagamentos do Estado.


