Entidades que representam categoria vão pressionar a Comissão de Ref orma do Judiciário para manter figura do conciliador
Arquivo FolhaComemoraçãoReginaldo Melhado, presidente da Associação dos Magistrados do TrabalhoDe CuritibaAntes mesmo de se encerrarem as comemorações e lamentos pela aprovação no Congresso Nacional da extinção dos juízes classistas, os representantes da categoria já planejam uma estratégia para reverter a situação. O diretor da Associação dos Juízes Classistas do Estado do Paraná (Ajucla-PR), Luiz Carlos Saldanha, informou que os principais líderes das entidades estaduais e nacional da categoria permaneceram toda a quinta-feira reunidos. Eles se encontraram na sede da Associação Nacional dos Juízes Classistas (Anajucla), em Brasília, para discutir como a entidade vai se posicionar para evitar o fim da categoria.
No entendimento de Saldanha, a principal proposta será dirigida à comissão que analisa a Reforma do Judiciário, cujo texto já prevê a figura de conciliadores na solução de conflitos trabalhistas. ‘‘Superficialmente, o relatório da deputada Zulaiê Cobra prevê a ação de conciliadores para atuar no conflito na relação capital/trabalho, porém sem disciplinar como’’, explica.
Em razão disso a meta dos classistas será defender a continuidade da figura dos conciliadores no texto da reforma. Ao mesmo tempo, os classistas pretender trabalhar para que o texto aprovado permita que estes integrantes sejam arrebanhados nos mesmos moldes dos juízes classistas que perderem seus mandatos, ou seja junto a sindicatos. No entendimento de Saldanha, a Anajucla e as Ajuclas decidiram se mobilizar para reverter a extinção da categoria ‘‘em razão da convicção de que a conciliação é um momento importante no conflito trabalhista’’.
Comemoração
A extinção dos juízes classistas foi aprovada na última quarta-feira na Câmara dos Deputados em segundo turno por 350 votos favoráveis, 77 contrários e 8 abstenções - 42 a mais que o necessário. Para entrar em vigor precisa apenas ser promulgada em sessão do Congresso Nacional.
A votação foi acompanhada por juízes classistas e togados que se dirigiram ao plenário da Câmara. O presidente da Associação dos Magistrados do Trabalho do Paraná (Amatra), Reginaldo Melhado, comemorou a decisão que considerou a ‘‘mais importante desde a fundação da Justiça do Trabalho’’.
O texto prevê que os atuais juízes classistas continuem ocupando seus cargos, porém sem ser substituídos à medida em que seus mandatos terminem. A expectativa é que dentro de três anos não exista mais nenhum dos 2,4 mil classistas no país, que recebem R$ 300 milhões anuais dos cofres públicos. Esse valor representa 16% do orçamento de toda a Justiça do Trabalho.

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