Estados Unidos, em 1997, e Bastad, em 95. Mas este argentino de nascimento mostrou que hoje é um tenista bem mais completo do que as pessoas conhecem e não só joga com o coração, com a garra e determinação. Aprendeu também novas técnicas e ganhou o respeito necessário para assustar qualquer adversário. A garra argentina, as incríveis corridas atrás de bolas impossíveis, sempre foram a marca registrada de Meligeni. Há algum tempo seus adversários já entravam na quadra com uma vantagem. Sabiam que se jogassem na sua esquerda (o revés) poderiam vencê-lo mais cedo ou mais tarde, não importando o quanto corresse o brasileiro. A história mudou. Meligeni também, como em toda sua vida. Ele está acostumado a transformações. Com quatro anos de idade, sem opção de escolha, foi morar em São Paulo, onde seu pai, Osvaldo, tinha um emprego de fotógrafo de publicidade. Com 18 anos, passou um período treinando em Buenos Aires, e, já com possibilidade de escolha, decidiu ser brasileiro. Tratou de conseguir a naturalização e nunca mais pensou em voltar atrás. "Quando fui para a Argentina, com 18 anos, para treinar, vi que não tinha mais nada a ver", contou. "Não fiz amigos, não me dava com ninguém, pois tudo que era meu estava no Brasil: minha família, meus amigos e vi que já era um brasileiro." Agora Meligeni - titular da equipe brasileira da Copa Davis - sonha em conquistar o segundo título de um Grand Slam para o Brasil. Confia em sua garra, na melhora técnica e, especialmente
na sua direita. Jogador tido como sem grande talento, ele mesmo se considera um "operário" na quadra, pois tem de trabalhar muito para conseguir cada ponto. Seu jogo está baseado na garra e numa direita temida. Sua esquerda melhorou sem dúvida, mas como Meligeni lembrou hoje, "se quiserem ficar trocando bola na minha direita, vou gostar bem mais." Com a temida direita e a esquerda não tão vulnerável
um saque sem muita violência, mas com precisão, Meligeni vive um momento mágico em sua carreira. Seu maior desafio agora, mesmo depois de ter vencido Rafter, Mantilla e Corretja, é fazer a torcida acreditar que pode agarrar o troféu no domingo, em Paris, e confirmar que realmente chegou a sua hora.Por Chiquinho Leite Moreira Paris, 02 (AE) - Com 28 anos de idade, Fernando Meligeni chegou num ponto em que aprendeu a tirar o melhor da harmonia de um tango e acrescentar o ritmo quente do samba. Este brasileiro nascido em Buenos Aires, em 12 de abril de 1971, está, enfim, na medida certa para o seu tênis. Até chegar as semifinais, ninguém apostaria uma só ficha neste jogador que chegou a conquistar alguns títulos importantes como Praga, no ano passado, Pinehurst

mockup