Classe média invade fazenda e é despejada
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quarta-feira, 12 de março de 1997
Agência Estado 
RIBAS DO RIO PARDO - A Polícia Militar do Mato Grosso do Sul começou a desocupar ontem a Fazenda Mutum, onde um grupo de grileiros de classe média havia iniciado uma ocupação no último final de semana. O juiz Alexandre Branco Pucci, da Comarca de Ribas do Rio Pardo, concedeu liminar de reintegração de posse à Agropecuária Itapeva, dona do imóvel, e estipulou multa diária de R$ 1 mil para quem permanecer na gleba, desrespeitando a decisão da Justiça.
Em Três Lagoas (MS), o advogado João Santana de Melo Filho, que defende seis invasores, disse que seus clientes são, na verdade, posseiros tanto quanto o empresário Léo Chueri, dono da Agropecuária Itapeva. Na década de 70 esse homem (dono da área) recebeu dinheiro de incentivos fiscais para fazer um reflorestamento em área de 150 mil hectares, mas o projeto foi abandonado e hoje não existe mais. Só na década de 90, quando começaram as invasões, foi que ele voltou a se preocupar com a terra, disse. João Santana impetrou mandado de segurança na Justiça Federal de Campo Grande, alegando que o Incra já considerou a gleba como de utilidade pública, desapropriou uma parte dela (16 mil hectares) e por isso toda questão deveria ser discutida na esfera federal e não estadual.
O advogado de Léo Chueri, João Alfredo, acredita que existam mais de 50 pessoas bem equipadas e com assessoria de advogados, tentando encontrar uma forma de provocar uma situação de conflito. Mas os organizadores dizem que há pelo menos o dobro. Ontem João Alfredo encaminhou à delegacia de Ribas do Rio Pardo, pedido de prisão preventida de quatro líderes dos grileiros: Roberto Vladimir Munhoz, Bibiano Correa do Couto, Euclides Dias Bravo e Ronei Batista Lima Couto. Eles são acusados de manter quatro operários da fazenda em cárcere privado e sob ameaça de morte com arma de fogo, durante a ocupação na sexta-feira.


