Nova York, 02 (AE-ANSA) - O comandante-em-chefe da Otan na Europa, o general americano Wesley Clark, queria bloquear o aeroporto de Pristina para antecipar-se aos russos, mas suas ordens foram ignoradas pelo chefe da Kfor, o general britânico Michael Jackson, afirma a revista Newsweek.
Segundo o semanário, Jackson negou-se a atender o desejo de Clark, respondendo que não queria correr o risco de desencandear uma Terceira Guerra Mundial.
A Newsweek sublinha que Clark, que deverá deixar o comando da Otan antes do previsto, não só não concordava com a estratégia de Washington para a campanha aliada em Kosovo como afrontava frequentemente outros oficiais, demonstrando pouco espírito corporativo.
A crise explodiu quando Clark ordenou o envio de helicópteros para o aeroporto de Pristina, buscando antecipar-se aos russos, mas sua ordem foi anulada por Jackson, que respondeu: "Não quero começar a Terceira Guerra Mundial por você".
Clark buscou então contornar a situação pedindo ao responsável pelo Comandante Sul da Otan, almirante James Ellis, para organizar a ocupação da pista do aeroporto com outros helicópteros aliados.
Mas Ellis também se negou, e Clark apelou então diretamente a Washington, mas sem sucesso, enquanto Jackson recebia total apoio de Londres.
Se as controvérsias confirmam a imagem de Clark como "um guerreiro solitário e intelectual que não faz prisioneiros", elas provam também que não é certo que a Otan tenha sido pega de surpresa pela manobra russa no aeroporto.
Desde o começo da ofensiva aliada em Kosovo, segundo a Newsweek, a administração americana havia rechaçado as posições de Clark, que queria que os bombardeios tivessem começado antes e continuassem com maior vigor.
Clark sustentava que as tropas terrestres, com uma maciça presença americana, deveriam se preparar para entrarem em Kosovo a qualquer momento, mas também em relação a isto não conseguiu respaldo de seu governo.
Alguns oficiais não identificados reprovaram Clark por querer ter sob controle toda a fase da ofensiva, seguindo passo a passo os bombardeios através de seu computador portátil, e por ter a tendência de "se meter em assuntos alheios".
Portanto, parece ser apenas um pretexto a explicação da Casa Branca sobre a substituição de Clark pelo general Joseph Ralston, número dois do Estado Maior americano, garantindo ser apenas para evitar a jubilação do último.

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