São Paulo, 31 (AE) - A Clariant, uma das maiores empresas do mundo em especialidades químicas e cujo faturamento global foi superior a US$ 6 bilhões no ano passado, quer se expandir no Brasil no segmento de química fina e de ingredientes ativos para indústria eletrônica através de aquisições estratégicas nos próximos anos. O presidente mundial da Clariant, Rolf Schweizer, não quis fazer comentários sobre as prováveis empresas candidatas à aquisição, mas destacou que esses negócios serão feitos no sentido de reforçar a empresa, ou seja, onde houver familiaridade com os negócios da companhia. "Adquirir apenas para crescer não faz sentido", afirmou Schweizer.
Ele destacou que a desvalorização cambial provocou uma queda no desempenho do Brasil em termos de receita para a Clariant. No primeiro semestre do ano passado, o lucro da companhia no País representou 8% de suas vendas. Este ano, esse índice recuou para 4%. "Porém, no médio prazo, isso não vai nos afetar tanto", explicou. Segundo o executivo, vem ocorrendo uma melhora em termos de vendas nos últimos três meses. A queda no desempenho brasileiro foi compensada pelo crescimento das exportações, que passaram de US$ 15 milhões para US$ 30 milhões entre o primeiro semestre de 98 e o deste ano.
A Clariant investe anualmente US$ 20 milhões no Brasil e, segundo Schweizer, pretende manter essa média para os próximos anos. "Dependendo das circunstâncias, podemos aumentar esse valor no futuro", disse. Ele participou hoje da cerimônia de inauguração do Centro de Pesquisa e Desenvolvimento da Clariant, em São Paulo, em sua primeira visita ao Brasil. Esse centro, segundo o executivo, vai pesquisar e desenvolver projetos não só para o Brasil, mas para outras regiões do mundo onde há a presença da companhia, e vai promover intercâmbio de cientistas.
O Brasil é a sede da Clariant para a América Latina. Essa região, em 98, foi responsável por uma receita de US$ 700 milhões, ou 12% de todo o faturamento mundial da companhia. No Brasil, o faturamento ficou em US$ 450 bilhões. A Clariant é o resultado da fusão da Hoechst Especialidades Químicas com a divisão química da Sandoz, e possui 29 mil funcionários em 130 unidades industriais localizadas em oito regiões mundiais. No Brasil, a empresa possui cerca de 3 mil funcionários.

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