Claretianas: de Londrina para o mundo
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sábado, 20 de fevereiro de 2010
Mariana Guerin<BR>Reportagem Local 
Em Londrina, elas cuidam de pacientes com câncer. Em Cambé (Norte), dos peregrinos de rua. Na África, acolhem portadores de HIV a atuam em centros de formação feminina. Estão presentes em 17 países de cinco continentes, somando mais de 400 irmãs no mundo todo.
Nascida em 18 de março de 1958, em terras vermelhas, sob a batuta de Madre Leônia Milito, a congregação das irmãs claretianas foi fundada para cuidar dos mais pobres, onde estiverem. Na casa sede, localizada na Zona Sul de Londrina, vivem 15 irmãs. A residência ocasionalmente recebe freiras de férias ou adoentadas ou que apenas vieram conhecer pessoalmente o berço da congregação, de vida ativa e espírito missionário.
Na rotina, entre um afazer e outro, as irmãs se reúnem para rezar salmos: momento de refletir o dia e se preparar espiritualmente para o próximo trabalho. ''A princípio, a irmã deve ir para onde a congregação a chama em missão'', declara a irmã Maria Verônica Ferreira, claretiana há 35 anos, que já morou nos estados de Goiás, Mato Grosso e São Paulo, antes de aportar no Paraná.
Para ela, apesar de ser difícil abandonar a rotina, toda claretiana sabe que não vai ficar muito tempo num só lugar, por isso precisa conhecer o máximo de culturas e línguas que puder. Italiano, francês, espanhol, inglês e português são idiomas básicos dos locais de atuação da congregação.
Segundo irmã Maria Verônica, há mais vocações claretianas do outro lado do globo do que na América Latina. ''O mundo mudou. Hoje os orientais têm praticado mais a religiosidade, estão mais místicos. Há vocações claretianas na África, Índia, Indonésia, Filipinas'', comenta. Para ela, o que dá rosto à congregação é o ser e fazer: ''Cultivar a bondade e a alegria e aproximar-se do jeito simples de viver.''
Conto de fadas
Hoje com 51 anos, a irmã Aparecida de Andrade, nascida em Cianorte (Noroeste), tornou-se religiosa aos 18 anos, numa época de ditadura militar, êxodo rural e crescimento da pobreza nas cidades. ''Minha vontade sempre foi ajudar as pessoas a não sofrerem tanto. Eu tinha o sonho de cruzar culturas anunciando o Evangelho para o mundo inteiro '', conta.
''Sei que a vida religiosa não é um conto de fadas, mas vivo momentos alegres'', declara a irmã, que nas crises, coloca a vocação em questão: ''Surge a necessidade de controle sobre a vida, a sexualidade, mas meu lado místico sempre fala mais alto, além disso, a vida religiosa me oferece ferramentas para que me una com Deus em oração'', comenta a freira, que gosta de trabalhar com a realidade do ser humano. ''Vejo o toque de Deus em tudo'', justifica.
Companheiras de formação, as irmãs Adenir Scandaroli e Luiza Fontoura da Silva somam mais de quatro décadas na congregação e após o início da vida religiosa juntas, cada uma seguiu uma direção contrária rumo ao caminho vocacional: irmã Adenir passou 42 anos educando crianças na Europa, enquanto a irmã Luzia trabalhou em hospitais na África nos últimos 40 anos. De férias em Londrina, elas mataram a saudade, relembrando o dom missionário.
''Nunca pensei em desistir. Para mim, a evangelização é um sorriso que acolhe o outro e estar na congregação me entusiasma'', diz a irmã Luzia, que já está aposentada, mas quer terminar a vida ao lado dos africanos: ''Já dei minha vida à África e quero voltar para lá, onde sou muito feliz''


