Clandestino é a quinta causa de morte materna
Londrina - Thomaz Gollop, coordenador do Grupo de Estudos sobre o Aborto (GEA), entidade que tem o apoio do Ministério da Saúde (MS) e da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), destaca que a grande questão a ser discutida "não é ser a favor ou contra ou aborto", mas "se a mulher que realiza aborto por vontade própria deve ser presa". "A lei penal vigente pune a mulher com cadeia, numa visão machista de que ela é leviana. Isso é uma falácia e totalmente ineficaz. A lei exprime apenas a opinião desinformada de algumas correntes políticas e religiosas. Precisamos resolver a questão pelo âmbito da saúde pública", reivindica.
Gollop aponta que o aborto clandestino é a quinta causa de morte materna no Brasil. "Não é a lei que vai impedir que as mulheres interrompam a gestação. Estimativas internacionais apontam para cerca de 700 mil a 1 milhão de abortos feitos anualmente no País. Desses, uma grande parcela é assistida de forma insegura. Isso resulta em atendimento por complicações no Sistema Único de Saúde e onera muito mais o Estado que uma medida prévia", explica.
E, como é de se esperar, conforme ele, grande parte das complicações nos procedimentos ocorrem com mulheres de baixa renda. "Quem tem melhores condições financeiras vai fazer de forma segura. A criminalização só ameaça a população mais pobre", alfineta. Questionado se o Brasil estaria pronto para a descriminalização, Gollop é taxativo ao dizer que "deixar de ser crime não é incentivar o aborto". "A questão de ter ou não e quando ter o filho deve ser opção de cada um. Não é um sistema para incentivar o aborto, mas orientar a mulher que já tomou sua decisão, dando a ela o direito de recorrer a uma interrupção de maneira segura", completa.(M.T.)





