Brasília, 19 (AE) - O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) apoia a fusão das empresas aéreas brasileiras como forma de dar competitividade ao setor e reduzir o preço das tarifas. O presidente do BNDES, Andrea Calabi, afirmou hoje que, para financiar operações de reestruturação do setor, com a união de duas ou mais empresas, o banco aguarda que seja apresentada uma proposta das próprias companhias aéreas. "O banco está pronto e preparado", avisou Calabi.
"Acho que tem espaço para movimentos de ação conjunta destas empresas que representem ganhos de eficiência", disse o presidente do BNDES, na Comissão de Assuntos Econômicos do Senado. "Isto significa que elas podem conseguir ocupar mais plenamente sua capacidade, diluir custos, com número de passageiros maior e portanto permitir fazer a passagem a um custo e preço mais baixo".
O apoio do banco poderá ser também para uma empresa interessada em se reestruturar. "Se uma boa empresa vier e tiver um bom projeto, podemos financiá-la individualmente", avisou. Também no caso de fusões, o banco aguardará algum projeto das companhias aéreas.
"Vamos ver a possibilidade de apoiar uma proposta, se houver economicidade e se ela atender aos interesses estratégicos do País", disse o ministro do Desenvolvimento, Alcides Tápias. "Só depois da apresentação de um plano deste tipo vamos analisar." As empresas aéreas já procuraram o BNDES para conversar sobre os problemas do setor e possíveis soluções. Calabi admitiu que as quatro grandes companhias (Varig, Vasp, Transbrasil e TAM), estiveram individualmente no banco, mas não apresentaram um modelo de reestruturação. "Pedi que elas se entendessem primeiro", disse Calabi.
A partir destas conversas, o presidente do BNDES disse que ficou clara a necessidade de mudanças. "As empresas entendem que têm mais capacidade de transportar do que demanda"
afirmou. "As companhias mostraram preocupação em relação aos resultados." A partir de janeiro passado, com a desvalorização cambial, a crise do setor de aviação civil no País se agravou. Endividadas em dólar, as empresas tiveram uma queda de receita real em razão da redução do movimento de passageiros. "Acompanhamos a situação de todas e percebemos a necessidade que as empresas apontaram de fusão", disse Calabi.
O banco irá analisar a questão de fusão das empresas tendo em vista a possibilidade de tornar o setor mais competitivo, tanto a nível nacional, quanto internacional. "O BNDES se coloca favoravelmente do ponto de vista de apoiar e dar suporte a projetos de reestruturação que sejam instrumentos de ganho de competitividade", disse Calabi.
O presidente do BNDES não descarta até a hipótese de permanecer apenas uma companhia no setor. "Existem casos de monopólio em áreas de concessão como estradas de ferro, energia elétrica e saneamento", lembrou. Nestes casos, Calabi ressaltou a importância de haver um órgão regulador forte "para acompanhar os interesses dos consumidores." "Mesmo a solução extrema de uma única empresa, no caso de uma concessão, pode ser justificada com um órgão regulador sólido". No caso do setor aéreo, disse, há ainda um "caminho lógico" a ser seguido. Primeiro, é preciso aprovar o novo Código de Aeronáutica, cujo anteprojeto ainda está sendo analisado pelo Ministério da Defesa. Depois, será preciso a criação da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), que também está sendo discutida.

mockup