Civismo e consciência crítica - Valter Luiz Orsi
OPINIÃO
Civismo e consciência crítica
Valter Luiz OrsiUma pergunta direta, para uma resposta rápida: que nota você daria, hoje, para o Brasil como país? Boa pergunta!, responderia uma grande maioria, com razão e com dúvidas sobre a pontuação. É exatamente por isso que a questão é realmente boa e, acima de tudo, oportuna. Ela nos permite uma reflexão saudável e necessária. Muitos brasileiros têm sérias dúvidas sobre o que pensam do País. Outros não precisam pensar muito para responder com uma nota próxima de zero. Em plena Semana da Pátria, nos cabe uma análise mais aprofundada sobre a auto-estima brasileira, injustificadamente baixa.
O País que chega agora aos seus 500 anos ainda não amadureceu sua consciência como nação. Somos um país-continente que, infelizmente, insiste em se considerar pequeno, reduzido. Esse é o sentimento que parece alimentar as avaliações que o brasileiro costuma fazer do Brasil. Pois esse sentimento carrega uma verdade e uma injustiça.
Comecemos pela injustiça.
Poucos países no mundo reúnem tantas características positivas quanto o Brasil. Elas são muitas. Temos terras férteis, riquezas naturais e água em abundância. O alimento, no Brasil, é farto como não se pode ver em outro canto do mundo. Temos a natureza com a exuberância única no planeta, temos um litoral imenso. O clima é temperado e não apresenta os extremos do frio europeu ou do calor que mata nos EUA. Não temos terremotos, furacões, vulcões ou outras fúrias da natureza. A convivência entre as raças e credos religiosos é harmoniosa. Não temos guerras, maiores ou menores, e vivemos numa democracia. O brasileiro prefere o sorriso e a conversa à agressão e o ódio que vemos prevalecer em muitos países. Pois esse é o Brasil; abençoado.
Mas há o outro lado, a outra verdade.
Convivemos com um nível de injustiça social que não se justifica. A concentração de renda é muito grande e produz desníveis que nos fazem misturar cenários de Suíça e de Índia. A administração econômica do País torna a todos reféns de modelos ora frágeis, ora equivocados, ora exagerados. O flagelo da corrupção e da impunidade macula todas as instâncias de governo e entristece o cidadão. Pois esse também é o Brasil; desrespeitado.
Temos, portanto, o palco e o cenário maravilhosos nos quais se desenrolam cenas boas e ruins. O Brasil é um grande país e merece, como tal, uma nota próxima da máxima. Já a forma de condução do País e a atuação de privilegiados estão na linha do zero.
Esta deve ser, para o cidadão, a reflexão na Semana da Pátria e em todos os demais dias do ano. A conclusão é a que devemos exercer a crítica com maior ênfase e saber exigir a correção de rota na administração do País e o expurgo dos nossos maiores flagelos. Por outro lado, precisamos saber valorizar o Brasil como nação, privilegiada e abençoada.
Essa valorização com consciência crítica é a síntese do civismo. Ser brasileiro é motivo de orgulho. Essa é a melhor forma de trabalharmos para construir o Brasil como a grande nação que é e que desejamos para os nossos filhos. Sabendo o seu valor e, ao mesmo tempo, atacando as origens de seus males maiores.
- VALTER LUIZ ORSI é presidente da Associação Comercial e Industrial de Londrina (ACIL)





