BRASÍLIA - A polícia do Distrito Federal encerrou ontem o inquérito que apura a morte do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, queimado vivo na madrugada de domingo por cinco estudantes. O delegado que presidiu o inquérito, Valmir Alves de Carvalho, não quis esperar pelos laudos do Instituto Médico Legal do DF, que deverão ser anexados ao processo só na segunda-feira. ‘‘Não há necessidade dos laudos, já que temos a confissão dos acusados e os depoimentos de testemunhas’’, explicou o delegado titular da 1ª Delegacia de Polícia de Brasília.
Ele não qualificou o crime como premeditado mas manteve a tipificação de doloso com motivo fútil. ‘‘O fato de os acusados terem matado o índio com fogo torna-se agravante’’, afirma Carvalho. Além de responderem por homicídio, os estudantes Max Rogério Alves, Eron Chaves de Oliveira, Antônio Novély Vilanova e Tomás Oliveira de Almeida serão acusados por corrupção de menores, já que com o grupo estava G.N.A.J., de 16 anos.
Ontem o delegado ouviu as últimas testemunhas do caso. A menor Karla Montenegro, namorada de Max Rogério, nada informou de novo à polícia, a não ser confirmar a mudança de carros. Max trocou quatro vezes de carro na noite anterior e na madrugada do crime. Foram ouvidos ainda o suboficial da Polícia Militar Marcelo Alves, que ajudou a capturar os estudantes, e Otávio Hermond Cançado, que esteve pouco antes do crime com o grupo. Os depoimentos também não acrescentaram nada de novo.
A partir da próxima semana o Ministério Público Federal dará início à briga para transferir o caso para a Justiça Federal. Ontem, o inquérito foi entregue na Justiça do DF, onde já existe um recurso do procurador-geral de Direitos Humanos, Luiz Vanderley Gazoto, pedindo que o juiz que for sorteado para o caso se julgue incompetente para julgar o processo. Gazoto quer que um dos dois juízes federais da vara criminal de Brasília assuma o caso.
‘‘Seja qual for a instância competente, é preciso que este caso seja julgado com imparcialidade’’, diz o delegado Valmir Carvalho, que não esconde sua decepção com a possibilidade de o processo passar para a Justiça Federal. ‘‘Eles já estão demonstrando este corporativismo’’, observa Carvalho. ‘‘Um dos rapazes tem pai que é juiz federal, e outro é enteado de um ex-ministro do Tribunal Superior Eleitoral.’’

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