Ney de SouzaCharif
Hammoud,
presidente
do Cicap:
‘‘queremos
ser uma
cidade-shopping’’ Ruas tranquilas e seguras, com o trânsito fluindo bem e calçadas livres para os pedestres. Lojas amplas, arejadas e confortáveis, onde vendedores bem preparados oferecem apenas produtos legítimos e de boa qualidade. Promoções e descontos nas lojas. Se depender da maioria dos empresários e da prefeitura, assim será Ciudad del Este em pouco tempo.
Algumas dessas mudanças já começam a acontecer. A segunda maior cidade paraguaia, com mais de 200 mil habitantes, e responsável por 53% da arrecadação de impostos no país, está iniciando um processo de reformulação. ‘‘Queremos ser uma cidade-shopping nas três fronteiras, uma atração a mais para o turista que visita essa região’’, anuncia Charif Hammoud, presidente do Centro de Importadores e Comerciantes de Alto Paraná (Cicap), entidade que reúne os 120 maiores empresários de Ciudad del Este.
O principal motivo desse processo de mudanças é uma questão de sobrevivência. Desde o início deste ano, o movimento comercial na cidade caiu cerca de 60%, de acordo com dados do próprio Cicap. O faturamento dos lojistas este ano, previsto em US$ 5 bilhões, deverá ficar em menos de US$ 2,5 bilhões. Uma média de 80 lojas continua fechando as portas todos os meses.
A crise que está enfraquecendo o ciclo do sacoleiro - que já dura quase duas décadas e elevou a cidade a terceiro maior centro de compras do mundo, atrás de Miami e Hong Kong - obrigou empresários e poder público a buscar saídas.
Entre elas está a campanha para limpar a imagem da cidade, considerada o ‘‘paraíso da pirataria’’. Com o apoio dos Estados Unidos, o governo paraguaio e o Cicap iniciaram um trabalho intensivo para apreender e destruir mercadorias falsificadas, geralmente produzidas no Brasil em países asiáticos.
‘‘O governo está se esforçando nesse trabalho’’, elogiou Hammoud, dono da loja Monalisa, a maior da cidade. Segundo o primeiro levantamento, a campanha já apreendeu o equivalente a US$ 6 milhões em produtos pirateados.
Outro problema que já está sendo atacado é o da insegurança. O Cicap colocou nas ruas o Pelotão de Proteção ao Turista. Nos dias úteis, um grupo de 90 homens trabalha no centro comercial da cidade. Além de proteger os turistas de assaltos, o pelotão é treinado para receber reclamações de compradores lesados por comerciantes. Segundo Hammoud, os ‘‘soldados’’ encaminham uma média de dez queixas diárias, das quais 90% são solucionadas.
Para reforçar a segurança, a prefeitura criou a Polícia Municipal de Proteção ao Turista. Vinte homens estão passando por treinamento e outros 20 passam por processo de seleção. Os salários desse novo pelotão também serão pagos por empresários. Com o mesmo objetivo de melhorar a segurança, a prefeitura está trocando toda a iluminação da cidade.
Outra parceria entre poder público e iniciativa privada deverá construir um ‘‘camelódromo’’ na cabeceira da Ponte da Amizade, em uma área de fácil acesso aos turistas. Para essa área deverão ser transferidos todos os vendedores ambulantes e as pequenas barracas que hoje entopem as ruas.
Na área da melhora no trânsito, as mudanças já começaram, mas a prefeitura enfrenta problemas. Um sistema implantado em setembro, que retira os ônibus de turismo do centro comercial, está enfrentando a resistência de turistas, agentes de viagem e ambulantes.
Eles reclamam que o novo estacionamento dos ônibus fica muito longe (a cinco quilômetros da área comercial) e o preço cobrado (US$ 10,00 por veículo) prejudicam suas atividades. A prefeitura alega que o estacionamento é seguro, tem banheiros, lanchonetes e local para repouso dos motoristas.
Quando essas e outras melhorias estiverem implantadas, autoridades e empresários de Ciudad del Este acreditam que a cidade poderá ser um centro mais atrativo para o turista. ‘‘É difícil encontrar, em qualquer cidade do mundo, a variedade de produtos que ofercemos aqui’’, afirma Hammoud.
Para o secretário municipal de Turismo, Mauro Cespedes, a nova ‘‘cidade-shopping’’ será vista como uma opção a mais de visita na fronteira, como as Cataratas, a hidrelétrica de Itaipu e os recém-criados Jogos Mundiais da Natureza.

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