Citricultores tentam renegociar dívidas
Itápolis, SP, 07 (AE) - Na agência do Banco do Brasil de Itápolis, cidade com 45 mil habitantes e 1,3 mil citricultores, 40 dos 497 produtores que pegaram financiamento para o custeio da atual safra de laranja entregaram as cartas com o pedido de renegociação da dívida. Contando os que procuraram o banco para conversar, mas não entraram com o pedido oficial, o número passa de cem.
O financiamento, de no máximo R$ 40 mil, tem juros subsidiados de 8,75% ao ano, sem correção monetária. O banco vai avaliar o tamanho do prejuízo de cada produtor e parcelar a dívida em até cinco anos. Como os contratos irão vencer em janeiro, o gerente da agência, Luiz Bertim Neto, acha que o número de pedidos de renegociação será bem maior. "Estamos esperando o fim da safra para ver a situação de cada um antes de refinanciar."
O citricultor Heitor Próspero esperava colher 20 mil caixas este ano, mas não conseguiu até agora vender nem uma dúzia. "Já foi tudo para o chão", lamenta ele, contando que deve R$ 90 mil ao Banco do Brasil em três financiamentos obtidos em seu nome e de familiares. Com medo de refinanciar e no próximo ano ficar devendo ainda mais, ele colocou um dos dois sítios à venda. Próspero tinha um contrato de três anos, que terminou no ano passado, por US$ 2,50 a caixa.
O engenheiro agrônomo Reinaldo Antonio de Oliveira, consultor do Banco do Brasil e citricultor, esperava colher este ano 25 mil caixas, mas não consegue se livrar da produção nem mesmo de graça. "Dei a fruta para um barracão, mas eles não foram buscar", conta. Oliveira produz fruta para consumo in natura, de aparência melhor do que a utilizada nas indústrias, mas foi vítima da retração no mercado interno. Ele não quis vender no início da safra, pensando que conseguiria um preço melhor alguns meses depois, como aconteceu no ano passado. "Mas o preço só baixou", lamenta.
Com produção estimada em 100 mil caixas este ano, Nazareno Mangineli conseguiu vender apenas 20 mil da variedade colhida em julho por R$ 1,50, entregue na fábrica, com o custo da colheita bancada por ele. Do que deveria estar colhendo, boa parte está perdida, fora do padrão e doçura exigido pela indústria. "Cerca de 40% estão perdidos, mas acho que uma parte ainda dá pra colher", afirma. Mangineli calcula em R$ 140 mil o prejuízo, mais do que os R$ 120 mil obtidos no banco, que está tentando refinanciar. Citricultor há 25 anos, ele conta que nunca viu uma crise como a atual. "Já tivemos preço baixo, mas nunca ficamos sem colher", diz.
Nesse cenário, o produtor Antonio Senchetti é uma exceção. Ele está cumprindo o segundo ano do contrato com a Citrovita, com preço de US$ 3,50 a caixa no ano passado e US$ 2 80 este ano. "Para o ano que vem ainda não tem nada acertado", diz ele. "O comprador disse que vai chamar para negociar."





