Brasília, 26 (AE) - Produtores de laranja de São Paulo apresentaram hoje denúncia ao Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) contra a indústria de suco de laranja. Segundo os citricultores, empresários estão praticando cartel com grandes produtores de laranja, enquanto os pequenos plantadores estão perdendo a produção por falta de compradores. Além disso, eles reclamam que os empresários estão desrespeitando o Compromisso de Cessação, assinado entre citricultores e industriais em 1995 para evitar a prática desleal de preço.
Segundo o presidente da Associação Brasileira de Citricultores (Abracitrus), Irani Monclair Biazotti, os empresários alegam que o documento proíbe que os empresários negociem o preço da fruta com os citricultores. "O que não podemos é negociar preço com associações que representam os citricultores, mas podemos negociar diretamente", defendeu-se o presidente da Associação Brasileira dos Exportadores de Cítricos
Ademerval Garcia. Segundo a explicação do presidente do Cade, Gesner Oliveira, o termo proíbe a formação de cartel de compra e que haja negociação de forma coordenada por parte das empresas, mas o documento não impede a negociação das empresas com cooperativas, associações ou produtores.
"Nosso custo de produção é de US$ 2,20 dólares a caixa de laranja e estamos tendo de vender a US$ 1,30", reclamou Biazotti. Os produtores de laranja querem garantir um preço mínimo de US$ 2,50 a caixa. Segundo eles, as indústrias de suco de laranja negociam preços com grupos de grandes produtores e os pequenos não conseguem compradores. "Essa é uma reclamação de produtores oportunistas", disse Garcia. De acordo com ele, alguns produtores negociam a venda da laranja por dois ou três anos a preço fixo, enquanto outros preferem aproveitar as oscilações do mercado para aproveitar as altas de preço. "No ano passado, pagamos três vezes o valor que estamos pagando agora porque a produção estava baixa e ninguém reclamou", justificou Garcia.
"Este ano a produção aumentou 17% e o preço caiu", disse. Com relação ao preço de custo, o presidente da Abecitros alega que o custo de produção depende da competência de cada produtores. "Eles reclamam que estão perdendo a produção, mas preferem deixar a laranja cair do que colher e vender no Ceasa"
disse.
De acordo com Gesner, o Cade vai esclarecer que produtores e empresários podem negociar preço, analisar a denúncia de formação de cartel e acertar uma data com a Comissão de Defesa do Consumidor para realizar uma reunião no Fórum Permanente de Concorrência para fazer uma análise do setor. "Se for levantada a prática de cartel, vamos encaminhar a denúncia para a Secretaria de Direito Econômico", disse.

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